Fotografia do "Rio Cávado, no Gerês"

sábado, 13 de junho de 2009

10 de Junho - Caminhada Camiliana


Este ano, infelizmente, alguns imprevistos não me deixaram acompanhar a Caminhada Camiliana, que se realiza, anualmente, neste dia de Camões e da Pátria.

Recordo aqui, o 10 de Junho de 2008, a minha participação na 3ª Caminhada Camiliana, entre a Estação da CP de Vila Nova de Famalicão e a Casa de Camilo - cerca de 10 km.

Um percurso muitas vezes feito por Camilo, algumas em boa companhia com os Senhores da Época, com quem se relacionava, como Bernardino Machado; outras... com algum burro-doutor.

Estas caminhadas pretendem dar a conhecer o romancista, o escritor, o mestre da língua portuguesa, fazendo, também, alusão a certos episódios engraçados da sua vida, demonstrando um Camilo popular e zombeteiro.

Por isso, não faltou a comitiva... nem o burro, nem os cantares ao desafio, ou as raparigas possessas... ou, ainda, o assalto do Zé do Telhado, saído por entre as folhagens do arvoredo que ladeia os caminhos e, que, por ser amigo de "cárcere" do Camilo, lhe poupou os amigos... e eram cento e dez... ou talvez mais. Eu não os contei!




A Camões e a Camilo:

A MURRAÇA

Canto 1º

Os cónegos, e os socos bem puxados
Que da Sé episcopal na sacristia,
Em queixos nunca dantes soqueados
Ferveram com rev’renda valentia:
E aqueles que deverem ser cantados
Quase filhos de sagaz patifaria,
Cantando, espalharei por todo o Porto
Qual se espalha o fedor de cão já morto.
(…)
Ó soco mais cruel que o próprio dardo,
Que estalaste nos queixos duro e horrendo,
Nos sagrados queixinhos do Bernardo,
E tangido por mão doutro reverendo!
Ah! Soco imortal, soco bem dado!
Salve, soco grande, audaz, estupendo!
Um reinado vais ter d’inteira glória,
Um soco ficarás sendo da história!
(…)
Estava a luz apagada, que o morcego
Ao roçar-lhe co’a asa a apagara;
Tornou o padre a si, achou-se cego
E diz a vizinhança que berrara:
A’ del-rei! Venha luz! ’stá como um prego!
Não vejo… quem me acode… ai, a minha cara!
Quem me tira das costas este fardo!
Quem socorre o mesquinho João Bernardo!
(…)
– Ai, mesquinho de mim! Que negro agouro
– É esse que este cão aqui me envia!
– Terei de ver perdido o meu tesouro,
– Tirar-me-ão os Cabrais a conezia?
– Se assim é, ah cruéis! Que dou um estouro!
– Assim me pagareis a serventia?!
– Ah, não creio, não creio seja tanto,
– E, se é, vale-me tu, Ambrósio santo!
(…)
Canto 3º

Stavas, padre João, pacato e quedo
Da prebenda comendo o pingue fruito,
C’os queixos inda virgens do soquedo,
O que o Passos não deixa durar muito.
Na pandiga folgada sempre ledo
C’o estômago de vinho nunca enxuito,
Mandando aos jornais artigozinhos,
Contra o Passos, que come a dous carrinhos.
(…)
Muito obrigado, ó Musa, vai-te embora,
O meu empenho fiz – cantar os murros.
Tu comigo serás, se em outra hora
Necessário me for cantar tais burros…
Pelo pouco que disse aqui agora
Se eu nos padres sentir esturros,
Ó Musa, tu virás, logo que eu possa,
E vós, padres, fugi, que eu dou-vos coça.

Camilo Castelo Branco


quinta-feira, 11 de junho de 2009

Marinheiro de Aventura com seus erros navegando...

Portugal só pode ser festejado com Camões, num poema de Agostinho da Silva e na voz de Ivo Machado.


Ivo Machado, um professor que sempre valorizou a Arte como um meio de ensino, se não o único.
Dando a conhecer aos alunos os nossos poetas e como eles podem ser ouvidos.
Um professor que não se ficou pelas 'operações de quebrados' - como diria Camilo C.B..
Fez da música (compositor), da poesia e do teatro, o alimento principal nas suas horas de convivência com o mundo escolar.
Mas esse tempo esgotou-se... o Ministério da Educação acaba com qualquer bagagem artística - só conhece a lengalenga das operações quebradas a um só ritmo.
Ivo Machado aposentou-se e apresentou no auditório da Fundação Cupertino de Miranda um recital em forma de aula, a sua última aula, onde homenageou Agostinho daSilva:




Marinheiro de Aventura com seus erros navegando...
Para ti, Ivo Machado, que foste um verdadeiro Descobridor!
O meu mais sincero apreço,
Lucília



E, ainda, de Agostinho da Silva: "Travesso Coração"

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Reviver o Passado na Bracara Augusta

Quando nasceu Bracara Augusta?
A cidade romana de Bracara Augusta foi fundada, pelo Imperador Augusto, acerca do ano 16 antes de Cristo.A palavra Bracara está associada ao nome do povo - Bracari - que aqui habitava e Augusta do próprio imperador Augustus.


Feira Romana de 28 a 31 de Maio
Organização: Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Braga
Local: Centro Histórico da Cidade
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Com vista à promoção turístico-cultural e à sensibilização para a salvaguarda e valorização do património arqueológico da cidade, a Câmara Municipal de Braga organiza, com a colaboração do Museu Regional de Arqueologia D. Diogo de Sousa e o apoio de várias entidades, a Braga Romana – Reviver o Passado na Bracara Augusta.
Com esta iniciativa a autarquia pretende chamar a atenção para a importância dos vestígios arqueológicos relacionados com a ocupação mais antiga da cidade, nomeadamente com Bracara Augusta, fundada pelo Imperador Augusto há cerca de 2000 anos.
Trata-se de um conjunto de eventos que remetem para a história romana da cidade, onde se integram a reprodução de um mercado da época, e muita animação, que inclui espectáculo e um Cortejo Romano.
(Fonte: Câmara Municipal de Braga)

Fotos de 2009