Fotografia do "Rio Cávado, no Gerês"

sábado, 9 de janeiro de 2010

Príncipe dos Poetas Líricos - Diogo Bernardes








Diogo Bernardes (1520-1605) nasceu em Ponte da Barca, Alto Minho, e estudou em Braga. Foi moço de câmara do rei D. Sebastião e acompanhou-o a Alcácer Quibir (1578), tendo ficado prisioneiro dos Mouros depois da batalha.

Relacionou-se com António Ferreira, Sá de Miranda e Pêro Andrade Caminha, tendo partilhado com eles as concepções clássicas, como a fidelidade aos modelos greco-latinos e renascentistas espanhóis e italianos.

Obras: Rimas ao Bom Jesus e à Virgem Gloriosa sua Mãe (1595), O Lima (1596) e Flores do Lima (1597).



O Lima e o Bucolismo de Diogo Bernardes

Meu pátrio Lima, saudoso e brando,

Como não sentirá quem Amor sente,

Que partes deste vale descontente,

Donde também me parte suspirando?


Se tu, que livre vás, vás murmurando,

Que farei eu, cativo, estando ausente?

Onde descansarei de dor presente,

Que tu descansarás no mar entrando?


Se te não queres consolar comigo,

Ou pede ao Céu que nossa dor nos cure,

Ou que trespasse em mim tua tristeza:


Eu só por ambos chore, eu só murmure,

Que d'um fado cruel o curso sigo,

Não tu, que segues tua natureza.


Fonte: Projecto Vercial
http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/diogob.htm

Fotos do Rio Lima em Ponte da Barca - Janeiro 2010 /Lucília Ramos:


Ponte da Barca, um paraiso escondido no interior do Alto-Minho.

Ponte da Barca, em pleno coração do Alto Minho deve o seu topónimo à "barca" que fazia a ligação entre as duas margens, e é a "ponte" construída em meados do séc. XV que lhe vai dar o nome de S. João de Ponte da Barca (1450).

O topónimo Ponte da Barca aparece pela primeira vez nas "inquirições" de 1220, sendo antes conhecida pelo nome de Terra da Nóbrega (ou Anóbrega). Mas já em 1050 se mencionaria um ponto de passagem da "Barca" no cruzamento da via dos peregrinos que, de Braga, demandavam a Santiago ou que, da Ribeira Lima, se dirigiam a Orense, por Lindoso. É vila sede de concelho, com cerca de 1500 habitantes, cujo foral, concedido por D.Manuel, remonta a 1513.
Terra rica, fidalga, de feição arejada, as Terras da Nobrega viram poetas da paisagem, das fontes e da saudade limianas. Mas Ponte da Barca, também, vila morena, de granito talhada, cheia de construções apalaçadas com capelas e muros fronteiros, ameados e brasonados do séc. XVI e XVII, os Paços do Concelho, o pelourinho, o abrigo porticado, a Matriz dedicada a S. João Baptista e com risco de Vilalobos. E ao lado de todo este espólio histórico/monumental, em plena harmonia de linhas e cérceas, uma vila nova a cheirar a progresso, uma Ponte da Barca atractiva e moderna.
Ponte da Barca turística, com as suas pesqueiras do Rio Lima (pesca da lampreia), seus coutos de caça, desportos nauticos, praia fluvial, um bom equipamento de restauração e de animação hoteleira, artesanato, folclore, uma gastronomia de requinte, e aquele vinho branco extra reserva da Adega Cooperativa, acompanhado sempre por um saber receber como ninguem, fazem de Ponte da Barca uma terra de eleição.

Copyright © 2008 Nuno Gonçalves

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Em Dia de Reis...

O QUINTO IMPÉRIO



Triste de quem vive em casa,

Contente com o seu lar,

Sem que um sonho, no erguer de asa,

Faça até mais rubra a brasa

Da lareira a abandonar!


Triste de quem é feliz!

Vive porque a vida dura.

Nada na alma lhe diz

Mais que a lição da raiz –

Ter por vida a sepultura.


Eras sobre eras se somem

No tempo que em eras vem.

Ser descontente é ser homem.

Que as forças cegas se domem

Pela visão que a alma tem!


E assim, passados os quatro

Tempos do ser que sonhou,

A terra será teatro

Do dia claro, que no atro

Da erma noite começou.


Grécia, Roma, Cristandade,

Europa – os quatro se vão

Para onde vai toda idade.

Quem vem viver a verdade

Que morreu D. Sebastião?



Fernando Pessoa






segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Entre o Paleolítico e a Idade do Ferro

D. Diogo de Sousa - Museu de Arqueologia
Braga

"O tempo é como um rio que os acontecimentos formassem, um rio tormentoso. Mal uma coisa se anuncia, ei-la que já se vai, no seu lugar já está outra em jeito de abalada. "

Marco Aurélio - Imperador Romano












Exposição Permanente


A exposição permanente inicia-se no corredor do piso de entrada, com uma breve abordagem à história do Museu, à qual se seguem quatro grandes núcleos expositivos.

Na sala 1 estão expostas as colecções cronologicamente compreendidas entre o Paleolítico e a Idade do Ferro.

Na sala 2 abordam-se as questões inerentes à integração de Bracara Augusta no Império romano, ou seja, em que medida o comércio e o contacto com as inovações tecnológicas influenciaram o desenvolvimento da economia local.

Na sala 3 pode tomar-se contacto com aspectos relacionados com o desenvolvimento do projecto de arqueologia urbana, em curso, respeitantes à organização do espaço público e doméstico em Bracara Augusta.

Na sala 4, são apresentados testemunhos alusivos às ligações viárias de Bracara Augusta, às necrópoles que se situavam na sua proximidade para além de alguns achados associados à religiosidade, no período romano e paleocristão.

A cave do bloco de serviços "o espaço-cripta" conserva vestígios “in situ”, de uma habitação da época romana com um mosaico.


Os textos de sala fornecem informação detalhada sobre as peças em exposição e seus contextos de origem.

Fonte:  D. Diogo de Sousa - Museu de Arqueologia