Fotografia do "Rio Cávado, no Gerês"

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A nossa gente: A Tasca do Delfim



A Tasca mais Típica do Norte de Portugal, em Arcos de Valdevez.


É, sobretudo, um autêntico museu de Concertinas... a visitar!
Delfim Pereiras Amorim, foi o maior tocador de concertina e cantador ao desafio, de Portugal.




Assim o demonstram as taças ganhas por esse país fora e no estrangeiro. Para além da enorme quantidade de fotos que estão expostas pelas paredes da 'tasca', ilustrando os seus grandes momentos de espectáculo. E ainda, a creditá-lo, as fotos conjuntas com outras pessoas famosas, como Amália Rodrigues, Eusébio e até Jorge Sampaio.

Delfim é um homem com grande amor à concertina, coleccionou muitas, de todos os tamanhos e feitios, bem expostas à mão de quem quiser tocar... e tocar, na sua tasca em Arcos de Valdevez, lá para os lados da parte mais antiga da vila, cujo letreiro à porta diz:


Foi através destas vidraças da porta que eu espreitei, acompanhada de uma amiga, pois nos chamara a atenção tantos objectos pendurados no tecto e expostos nas paredes. Nunca tinha tido conhecimento desta famosa tasca (agora é só procurar no Google e ver os muitos itens sobre ela).

Três pessoas se aqueciam à lareira e faziam-nos sinal para entrarmos. Muito longe de imaginarmos quem seriam estas três personagens, um vestido com um capote, à alentejano, o Delfim, a convidar-nos ao aconchego do fogo; a seu lado, um outro, o Zé Manel, também ele cantador e desafiador, embora muito mais envergonhado que o mestre da concertina; e ainda, uma vistosa mulher de lencinho laranja ao pescoço e mantinha nas pernas, a Maria, mulher - de longa data - do Delfim.

Lá nos fomos aconchegando, vagarosamente, pois o espanto por tudo o que nos rodeava fazia-nos demorar o olhar pelas paredes e tecto, totalmente cobertos dos mais variados objectos - muitos da tradição popular portuguesa. E depois do pasmo, sempre foi o aconchego das brasas, num final de tarde, deste mês de Janeiro que gela os ossos.

E quase sem darmos por isso, já tínhamos umas pataniscas de bacalhau e umas malguinhas de vinho de verde tinto, para retemperar da cavaqueira.
Foram momentos bem passados, risonhos, com as estórias 'ao desafio' do Delfim e a suavidade no trato da Maria, a dizer: "Não liguem às tolices dele. É um brincalhão mas respeitador".
Ninguém tocou, ninguém cantou, mas tudo encantou.
Ficou a promessa de um regresso à Tasca do Delfim... para colocarmos mais uma fotografia na parede!






Mais informação sobre a Vida do Delfim, colhidas na Internet:



Daqui: http://maisactual.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=1144&Itemid=77

E mais música ao desafio, aqui: http://video.google.pt/videosearch?hl=pt-PT&source=hp&q=Tasca+do+Delfim+em+arcos+de+Valdevez&um=1&ie=UTF-8&ei=WX5TS-X7Lcvz_AapisSqCg&sa=X&oi=video_result_group&ct=title&resnum=4&ved=0CBoQqwQwAw#

E a lição do Delfim, aqui: http://www.youtube.com/watch?v=asroL0Izb7o

«O ritmo é dado pelas concertinas, da colecção pessoal do dono da tasca, Delfim, um músico experiente que calcorreia o mundo, e que alguém já comparou, em fama, com Quim Barreiros. As 70 sanfonas da colecção revestem as paredes da tasca, e têm uso garantido já que os clientes as podem tocar. São um espectáculo multicolor, de diferentes origens e modelos: da Rússia, de França, de madeira e de metal, recentes e com mais de 100 anos. E aqueles atrevidos duelos de palavras, repletos de regionalismos e impropérios, parecem-nos tão espontâneos que nem os mais castos se chocariam. A animação está garantida, com bailarico à mistura, que é partilhada por todos, jovens e mais idosos. Mulheres, só uma que acompanhava o filho, descontadas as duas empregadas.»
Ver mais aqui: http://www.rotas.xl.pt/0399/a03-00-00.shtml

«Percorreu Portugal de lés-a-lés e actuou em vários países do mundo, com destaque para a França, onde foi 222 vezes. Confessa que a arte de bem tocar e cantar lhe dava muita popularidade entre as raparigas.
'No meu tempo, quem tocasse concertina tinha o que queria', deixa escapar Delfim, para imediatamente 'calar o bico', não fosse o diabo tecê-las e acabasse por dizer coisas que levassem a mulher com quem está casado 'há 36 anos e meio' a 'pegar no rolo da massa'. (Correio do Minho)»


«06-07-2009 10:40
Autor: Viriato

Tasca do Delfim (Cantador)

A RTP o canal público de TV, o mesmo canal que todos subsidiamos e que anda mais ao serviço do Estado do que dos portugueses, tem feito reportagens na nossa terra, esquecido do Alto Minho com destaque para AVV. Assim a visita à Tasca do Delfim, vai mostrar ao país e ao mundo que aqui nos Arcos existem verdadeiros artistas populares, o Delfim e a sua Santissima mulher, são a imagem tipica desta região alegre e de muito vinho verde! Assim é que sim!

06-07-2009 14:06
Autor: João Paulo

Re: Tasca do Delfim (Cantador)

É bom que as televisões mostrem o que temos de bom na nossa terra. Lembro com muita saudade o Delfim, que tocava e cantava no restaurante "o pote" em Viana do Castelo. Um homem alegre, bem disposto, feliz! Não tardará muito que o visitarei no seu "museu" das concertinas aí nos Arcos.»

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Arcos de Valdevez

Arcos de Valdevez é uma lindíssima vila, sede de concelho, do Alto Minho, rodeada de natureza verdejante e banhada pelo bonito Rio Vez, está inserida no único Parque Nacional do País: o Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Com ocupação humana desde tempos pré-históricos, como o testemunham os diversos achados arqueológicos de espaços funerários pré-históricos, que incorpora cerca de uma dezena de monumentos distribuídos por uma zona planáltica, destacando-se o Núcleo Megalítico do Mezio, que vale a pena conhecer.

Arcos de Valdevez, para além de toda a sua beleza natural, é também uma terra histórica, onde, segundo reza a tradição, se encontraram as tropas de Afonso VII de Leão e de D. Afonso Henriques, em 1140, dando origem à consagração do reino Português, rezando a lenda que no combate se deu uma carnificina tal que horas passadas do combate ainda o Rio Vez levava, até ao Rio Lima, sangue em vez de água.

A terra é visivelmente fértil e a vila encantadora, com as suas ruas e casario irregular, velhas mansões e igrejas, como a Igreja de Nossa Senhora da Lapa, de 1767, em estilo barroco, e a bonita Igreja Matriz.
A não perder é o antigo Campo da Feira, desde 1456, à beira rio, proporcionando bonitas paisagens e paz de espírito.

A Gastronomia da região é tipicamente minhota, e sinónimo de apetitosa, destacando-se o tradicional cozido à Portuguesa e a vitela assada.

Fonte: GUIA DA CIDADE - Viana do Castelo
http://www.guiadacidade.pt/portugal/index.php?G=monumentos.ver&artid=15434&distritoid=16


quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Rio Vez - trova do vento que passa...

«Trova do Vento que Passa»

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre

Fotos de Arcos de Valdevez - Janeiro 2010 / Lucília Ramos


http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Vez

O Rio Vez está localizado na falda da Serra do Soajo no Parque Nacional da Peneda-Gerês, Portugal.

Este rio atravessa a terra de Arcos de Valdevez onde se realizou o famoso Torneio de Arcos de Valdevez que está na origem da Independência de Portugal. Principal afluente do Rio Lima, na margem direita. Drena uma área aproximada de 260Km2.

As águas deste rio são ricas em truta, facto que atrai numerosos entusiastas na época da pesca.

Rio Vez

... é acrescido com as águas do rio Ázere em Arcos de Valdevez, dividindo a vila a meio, antes de desaguar no rio Lima.