Enigmas
Quantas vidas se contariam
se estas cadeiras falassem,
se as mesas articulassem
palavras,
elas falariam
de tão diferentes pessoas.
As emoções diversas
relembram soluços e risos,
as vidas que passam por aqui
misturam-se, condimentadas,
num enigmático
profanar de confidências.
se estas cadeiras falassem,
se as mesas articulassem
palavras,
elas falariam
de tão diferentes pessoas.
As emoções diversas
relembram soluços e risos,
as vidas que passam por aqui
misturam-se, condimentadas,
num enigmático
profanar de confidências.
Publicada por Paula Raposo
Santuário de Nossa Senhora de Cárquere
Está localizado na vertente da Serra de São Cristóvão, a 6 Km da vila de Resende. A igreja é de uma só nave, com características de estilo manuelino. A capela-mor, gótica, deverá datar dos fins do século XIII ou inícios do século XIV. Contígua à sacristia, na parte mais antiga do edifício, situa-se a capela funerária dos senhores de Resende. A torre sineira é do século XIII. Foi antigo Mosteiro dos Cónegos Regrantes de Sto. Agostinho e posteriormente dos Jesuítas.
Localização
- Mosteiro de Santa Maria de Cárquere
4660
Distrito: Viseu
Concelho: Resende
Freguesia: Cárquere
Como D. Egas Moniz (1) criou D. Afonso (Henriques), filho do Conde D. Anrique, e como (o mesmo D. Afonso Henriques) foi são per milagre de Nossa Senhora d’ aleijão com que nasceu.
/f. 5/
DEPOIS que o Conde D. Anrique / assi / (2) foi casado com Dª Tareja, (3) filha del-Rei / D. Afonso (VI) / (4) de Castela, como dito é, vindo ela a emprenhar, D. Egas Moniz, (5) mui esforçado e nobre fidalgo, grande seu privado, que com ele viera de sua terra, a quem tinha feita muita mercê, chegou a ele, (6) pedindo-lhe que qualquer filho ou filha que a Rainha parisse, lho quisesse dar, pera o ele criar. (7) E o Conde lho outorgou.
E veio a Rainha a parir um filho, (8) grande e fermoso, que não podia mais / ser em / (9) uma criatura, salvo que nasceu com as pernas tão encolheitas que, ao parecer de mestres e de todos, julgarom que nunca poderia ser são delas. E nasceu no ano do nascimento de Nosso Senhor Jesu Cristo de M e XC e IV anos. (10)
Tanto que D. Egas Moniz soube que a Rainha parira, cavalgou depressa (11) e veio-se a Guimarães, onde o Conde D. Anrique estava, e pedindo-lhe, por mercê, que lhe desse o filho que lhe nascera, pera o haver de criar, como lhe tinha prometido. E o Conde lhe respondeu que não quisesse tomar tal cargo, que o filho que lhe Deus dera nascera, por seus pecados, tolheito de maneira (12) que todos tinham que nunca guareceria, nem seria pera (ser um) homem. E D. Egas Moniz, quando esto ouviu, pesou-lhe muito (13) e disse: -«Senhor, antes cuido eu que por meus pecados aconteceu isto. Mas, pois a Deus aprouve ser tal (14) minha ventura, dai-me, todavia, vosso filho, (15) quijando quer que seja». E o Conde, posto que tivesse grande pejo, pelo bem que a D. Egas Moniz queria, de o encarregar em semelhantes crianças, (16) por causa d’ aleigão da criança, contudo lha deu, por comprir (o que lhe tinha prometido). (17) (18)
E quando D. Egas vio a criança tão fermosa e com tal aleijão, (19) houve mui grande dó dela. E, confiando em Deus, que lhe podia dar saúde, a tomou (20) e a fez criar, não com menos amor e cuidado, (21) (do) que se fosse mui são. E, jazendo D. Egas Moniz uma noite dormindo, sendo já o menino de cinco anos, (22) lhe apareceu Nossa Senhora (23) e disse: -«D. Egas, dormes?» E ele, / a esta visão e voz, acordando, / (24) dixe: -«Senhora, quem sois vós?» E ela disse: -«Eu são a Virgem Maria, que te mando (25) que vás a um tal lugar - dando-lhe logo sinais dele - e faz i cavar, e acharás (26) uma igreja que, em outro tempo, foi começada em o meu nome, e uma imagem minha. Faz correger a igreja e a imagem, feita em minha honra. E isto feito, (27) farás i vegília, poendo (28) o menino / que crias / (29) sobre o altar, e sabe que guarecerá e /f. 5 v/ será são (30) de todo; e não menos te trabalha, daí avante, de o bem criar e guardar, (31) como fazes, porque meu Filho quer, por ele, destruir muitos imigos (32) da fé».
Desaparecida / esta visão /, (33) ficou D. Egas Moniz mui consolado e alegre, / como vassalo que, com são e verdadeiro amor, amava seu senhor e suas cousas /. E, tanto que foi menhã, alevantou-se logo, e foi-se, com gente, àquele lugar que lhe fora dito. E mandou (34) aí cavar, e achou aquela igreja e imagem, poendo em obra todas as cousas que Nª Senhora mandava. A qual e imagem, poendo em obra todas as cousas que Nossa Senhora mandava. À qual aprouve, por sua santa piadade, tanto que o menino foi posto sobre o altar, (ficou como se) nada tivera /. (35) (36)
/ Vendo /, (37) D. Egas Moniz, este tamanho prazer e milagre, deu muitos louvores a Deus e à Senhora Sua Madre, criando e guardando, daí avante, com muito amor e cuidado, (38) o menino, cujo aio foi sempre, até (39) que seu pai morreu em Estorga, sendo ele já de tamanha idade que, nas guerras e todas outras fadigas, supria os cargos de seu pai.(40) E, por causa deste milagre, foi, depois, feito, em esta igreja, com muita devação, o moisteiro de Cárcare.(41) E como quer que alguns contem seu nascimento haver sido Ultramar, e bautisado no rio Jordão, porém, por mais verdade, achei ser seu nascimento em a maneira que dixe.(42)
(C: f. 5 - G: p. 21 - P: p. 49, lin. 3)
/f. 5/
DEPOIS que o Conde D. Anrique / assi / (2) foi casado com Dª Tareja, (3) filha del-Rei / D. Afonso (VI) / (4) de Castela, como dito é, vindo ela a emprenhar, D. Egas Moniz, (5) mui esforçado e nobre fidalgo, grande seu privado, que com ele viera de sua terra, a quem tinha feita muita mercê, chegou a ele, (6) pedindo-lhe que qualquer filho ou filha que a Rainha parisse, lho quisesse dar, pera o ele criar. (7) E o Conde lho outorgou.
E veio a Rainha a parir um filho, (8) grande e fermoso, que não podia mais / ser em / (9) uma criatura, salvo que nasceu com as pernas tão encolheitas que, ao parecer de mestres e de todos, julgarom que nunca poderia ser são delas. E nasceu no ano do nascimento de Nosso Senhor Jesu Cristo de M e XC e IV anos. (10)
Tanto que D. Egas Moniz soube que a Rainha parira, cavalgou depressa (11) e veio-se a Guimarães, onde o Conde D. Anrique estava, e pedindo-lhe, por mercê, que lhe desse o filho que lhe nascera, pera o haver de criar, como lhe tinha prometido. E o Conde lhe respondeu que não quisesse tomar tal cargo, que o filho que lhe Deus dera nascera, por seus pecados, tolheito de maneira (12) que todos tinham que nunca guareceria, nem seria pera (ser um) homem. E D. Egas Moniz, quando esto ouviu, pesou-lhe muito (13) e disse: -«Senhor, antes cuido eu que por meus pecados aconteceu isto. Mas, pois a Deus aprouve ser tal (14) minha ventura, dai-me, todavia, vosso filho, (15) quijando quer que seja». E o Conde, posto que tivesse grande pejo, pelo bem que a D. Egas Moniz queria, de o encarregar em semelhantes crianças, (16) por causa d’ aleigão da criança, contudo lha deu, por comprir (o que lhe tinha prometido). (17) (18)
E quando D. Egas vio a criança tão fermosa e com tal aleijão, (19) houve mui grande dó dela. E, confiando em Deus, que lhe podia dar saúde, a tomou (20) e a fez criar, não com menos amor e cuidado, (21) (do) que se fosse mui são. E, jazendo D. Egas Moniz uma noite dormindo, sendo já o menino de cinco anos, (22) lhe apareceu Nossa Senhora (23) e disse: -«D. Egas, dormes?» E ele, / a esta visão e voz, acordando, / (24) dixe: -«Senhora, quem sois vós?» E ela disse: -«Eu são a Virgem Maria, que te mando (25) que vás a um tal lugar - dando-lhe logo sinais dele - e faz i cavar, e acharás (26) uma igreja que, em outro tempo, foi começada em o meu nome, e uma imagem minha. Faz correger a igreja e a imagem, feita em minha honra. E isto feito, (27) farás i vegília, poendo (28) o menino / que crias / (29) sobre o altar, e sabe que guarecerá e /f. 5 v/ será são (30) de todo; e não menos te trabalha, daí avante, de o bem criar e guardar, (31) como fazes, porque meu Filho quer, por ele, destruir muitos imigos (32) da fé».
Desaparecida / esta visão /, (33) ficou D. Egas Moniz mui consolado e alegre, / como vassalo que, com são e verdadeiro amor, amava seu senhor e suas cousas /. E, tanto que foi menhã, alevantou-se logo, e foi-se, com gente, àquele lugar que lhe fora dito. E mandou (34) aí cavar, e achou aquela igreja e imagem, poendo em obra todas as cousas que Nª Senhora mandava. A qual e imagem, poendo em obra todas as cousas que Nossa Senhora mandava. À qual aprouve, por sua santa piadade, tanto que o menino foi posto sobre o altar, (ficou como se) nada tivera /. (35) (36)
/ Vendo /, (37) D. Egas Moniz, este tamanho prazer e milagre, deu muitos louvores a Deus e à Senhora Sua Madre, criando e guardando, daí avante, com muito amor e cuidado, (38) o menino, cujo aio foi sempre, até (39) que seu pai morreu em Estorga, sendo ele já de tamanha idade que, nas guerras e todas outras fadigas, supria os cargos de seu pai.(40) E, por causa deste milagre, foi, depois, feito, em esta igreja, com muita devação, o moisteiro de Cárcare.(41) E como quer que alguns contem seu nascimento haver sido Ultramar, e bautisado no rio Jordão, porém, por mais verdade, achei ser seu nascimento em a maneira que dixe.(42)
(C: f. 5 - G: p. 21 - P: p. 49, lin. 3)
In Crónicas dos Sete Primeiros Reis de Portugal, Edição Crítica, pelo Académico de Número Carlos da Silva Tarouca, S. J., Vol. I, Academia Portuguesa da História, Lisboa, M CM LII.
A grafia das palavras foi actualizada. As palavras colocadas entre parênteses foram acrescentadas, a fim de facilitar a compreensão do texto.
Aqui: http://www.eb1-passos-resende.rcts.pt/2004_2005/milagre-de-carquere.html

Mas que riqueza de post, o teu, minha amiga. Não falo de mim, não. Falo de ti e da tua alma grande. Até amanhã.
ResponderEliminarEduardo
Obrigado, amiga!
ResponderEliminarVou colocar o endereço do seu blog em nova lista, a publicar.
Bjs
Obrigada por teres escolhido um poema meu!! Tão belas as tuas fotos. Gostei muito de estar aqui. Muitos beijos.
ResponderEliminarÉ tão bom vermos pessoas de quem gostamos reunidas no mesmo lugar! É tão bom vermos pessoas, como tu, Lucy, juntarem as pessoas, todas elas diferentes, mas de coração aberto. É tão bom ver o Amor na prática, farto que estou de teorias e de doutrinas. Obrigado.
ResponderEliminarDeus está contigo. E os qnjos. Abraço. Eduardo
Agradecida, aqui aos poetas, pela honra de suas visitas.
ResponderEliminarUm beijo para todos,
Lucy