Fotografia do "Rio Cávado, no Gerês"

terça-feira, 19 de maio de 2009

Tempo de Poesia - Tempo de Museus

Photobucket


18 de Maio de 2009

Photobucket


Recital de Música e Poesia ainda em noite de celebração de museus, num espaço muito agradável, com os lugares certos para sentar o grupinho de pessoas, já familiares, que se deslocaram a uma das salas da Fundação Cupertino de Miranda, em Vila Nova de Famalicão.

E todo o tempo foi realmente de poesia: três professores procurando viver todo o seu tempo com arte, presentearam-nos com música e poemas cantados pelo Ivo Machado, acompanhado ao piano por Rui Mesquita; e declamados pelo António Sousa.

Ivo Machado cantou Sophia, Manuel Alegre, Gedeão, Agostinho da Silva e José Luís Tinoco.
António Sousa declamou Gedeão, Pessoa, Baudelaire, Sophia e Alexandre O´Neil.

Photobucket

Terminou este recital com a "Pedra Filosofal"; a assistência fez coro, ficou embalada no sonho constante da vida, cada estrofe cantada ou declamada pulava de um para outro artista e, avançava... colorida, mais ainda, pela voz de uma criança que ali se encontrava.

Foi lindo!

PhotobucketPhotobucket


Poema declamado pelo António Sousa:

ENQUANTO


Enquanto houver um homem caído de bruços no passeio
E um sargento que lhe volta o corpo com a ponta do pé
Para ver quem é,
Enquanto o sangue gorgolejar das artérias abertas
E correr pelos interstícios das pedras,
Pressuroso e vivo como vermelhas minhocas despertas;
Enquanto as crianças de olhos lívidos e redondos como luas,
Órfãos de pais e mães,
Andarem acossados pelas ruas
Como matilhas de cães;
Enquanto as aves tiverem de interromper o seu canto
Com o coraçãozinho débil a saltar-lhes do peito fremente,
Num silêncio de espanto
Rasgado pelo grito da sereia estridente;
Enquanto o grande pássaro de fogo e alumínio
Cobrir o mundo com a sombra escaldante das suas asas
Amassando na mesma lama de extermínio
Os ossos dos homens e as traves das suas casas;
Enquanto tudo isso acontecer, e o mais que se não diz por ser verdade,
Enquanto for preciso lutar até ao desespero da agonia,
O poeta escreverá com alcatrão nos muros da cidade:


ABAIXO O MISTÉRIO DA POESIA

(António Gedeão)

Poema de Gedeão cantado pelo Ivo Machado: TEMPO DE POESIA

Photobucket

Peço desculpa pela falta de jeito na colocação do vídeo, nele não aparecem as imagens.




E para quem quer matar saudades, pode revê-los na seguinte data:

23.SÁB
Recital
MIRAGEM DE SAUDADES - IVO MACHADO - FUNDAÇÃO CUPERTINO DE MIRANDA - AUDITÓRIO 21h30

Miragem de Saudades é um projecto musical, em torno da obra poética de Agostinho da Silva. A iniciativa será desenvolvida em formato de aula (réplica da última aula de carreira). Pretende, assim, Ivo Machado homenagear os seus alunos, na hora da retirada da docência. Será acompanhado ao piano por Rui Mesquita e, conta com a colaboração do declamador António Sousa.

26.TER
CICLOS DE MÚSICA E POESIA

Recital Música e Poesia
FUNDAÇÃO CUPERTINO DE MIRANDA - AUDITÓRIO
Entrada livre
Informações
Telefone: 252301650 E-mail: geral@fcm.org.pt

http://www.cm-vnfamalicao.pt/cultura/agendacultural.php

domingo, 17 de maio de 2009

"Trilho da Cangosta do Estevão"- em noite de Museus!

Photobucket

Nestas noites em que os museus estão de portas abertas ao público, nas comemorações do Dia dos Museus, os funcionários da Casa Camilo Castelo Branco, do Centro de Estudos Camilianos e do Grupo de Caminheiros da GRUCAMO, em Seide, Vila Nova Famalicão, meteram pés a caminho e convidaram o público a percorrer e a viver os trilhos de Camilo, conforme apelidaram de: “Cangosta do Estevão”.

“Pelos caminhos deste recanto minhoto percorridos pelos passos de Camilo nas suas deslocações a Landim, vamos hoje reviver esses momentos de evasão do nosso romancista.”

Apesar do tempo chuvoso, ultimaram-se os preparativos para a caminhada no átrio do Centro de Estudos Camilianos. Alguns vestidos a preceito, outros bem resguardados de capa e guarda-chuva, partimos nós de autocarro até ao Mosteiro de Landim. Ali começaram as pequenas dramatizações relatando episódios do romancista, das suas Novelas Minhotas e até da Murraça. Foram quatro momentos divertidos, de lanterna em punho alumiando os ‘escritos’ e… os pés das damas de vestido longo, que foram arrastando os seus vestidos rendados nos lamaçais dos caminhos. Houve alturas em que os perigos eram eminentes, não pelos assaltos do Zé do Telhado, mas pelas escuras ruelas, pelos carreiros lamacentos em campos recém-lavrados, pelas silvas encobrindo bermas – onde um passo em falso nos levaria a desaparecer na escura noite ou, no riacho Pele. Valeram-nos os caminheiros da Grucamo, muito experientes nestas cousas de perigos, abrindo braços e protegendo-nos as bordas.

O nosso anfitrião, Camilo Castelo Branco, protagonizado pelo guia do museu, o Reinaldo, cavalheiro de falas de cor, de conhecimento profundo da obra, que leva os ouvintes a pensarem-no possesso pelo pensamento do romancista descabelado – como diria António Joaquim se se apeasse da liteira e assistisse a tal procissão nocturna.

Com Camilo à conversa desde o Mosteiro de Landim, mais o Cego, mais a Brasileira de Prazins e a Maria Moisés, éramos chegados ao Centro de Estudos para descanso da passeata, percorridos 2.400 metros.

E para animar a malta, já que na vida do representante de Camilo há uma boina e uma viola, aí temos o Reinaldo mais a sua cantadeira – a Fátima, que juntamente com o resto do grupo “Pedra D´Água” dão vida a um serão da província. E como surpresa final, num ambiente descontraído e alegre, retemperaram-se energias com os tradicionais rojões à moda do Minho, pão de milho, caldo verde e um bom vinho; tudo servido em louça de barro com a inscrição de “Camilo” – para que não restassem dúvidas.

Assim terminou uma noite que ameaçava chuva… mas não choveu e deu vida a um Museu.

A Casa-Museu Camilo Castelo Branco foi considerada o melhor museu de Portugal no ano de 2006. Essa distinção foi atribuída pela Associação Portuguesa de Museologia (APOM), distinguindo o trabalho que tem sido realizado como centro de informação e investigação sobre o escritor.
No momento, encontra-se entre os 15 melhores museus da Europa.




O Cego de Landim – (junto da capela de S. Brás)
Nascera em Landim em 11 de Dezembro de 1808. Neste ano, uma das pessoas que nasceram sem pesarem um escrópulo, pelo peso velho, na balança dos lusos destinos, foi aquele António José Pinto Monteiro.
Seu pai barbeava em Landim com ferocidade impune. A espada de D. Afonso Henriques e as navalhas dele têm tradições sanguinárias.
António, o primogénito deste esfolador, estudou primeiras letras com rara esperteza, aos onze anos, era prodígio em tabuada e bastardinho. Com tais talentos não se atabafam muito tempo debaixo do alqueire, o rapaz sofreu algumas contusões. Um monge beneditino de Stº Tirso compadeceu-se do moço, em tão verdes anos perdido, à conta da sua habilidade funesta: pagou-lhe a passagem para o Brasil, porque sabia que os ares de Santa Cruz são como os do éden para refazer inocentes.
Pinto Monteiro, intrometeu-se na política brasileira, iniciou-se na maçonaria em 1830, fez discursos vermelhos contra o imperador e escreveu clandestinamente. É indeterminável o estádio que ele ganharia, se um militar imperialista lhe não cortasse o rosto com um látego. Uma das tagantadas contundiu-lhe os olhos. Pinto Monteiro cegou.
In “Novelas do Minho” C.C.B.

In “Camilo em San-Miguel de Seide” de Veloso de Araújo, 1925.


Maria Moisés – (nas bermas do rio, junto da Azenha)
Neste cantinho escondido entre colinas verdejantes do Minho pitoresco, para Camilo não foi apenas o calvário das suas dores imensas. Foi também um manancial ubertoso de inspirações, de modelos valiosos e desconhecidos, que aproveitou para descrições e personagens de muitos dos seus romances e novelas.
Entre outras novelas destacamos a Maria Moisés, embora as cenas se passem distantes, os nomes, as descrições, os detalhes tirou-os o escritor de modelos muito próximos.
Na aldeia era estimada a Maria Moisés pelas suas qualidades de trabalho e honestidade. Sabiam-na enjeitada, mas as vicissitudes da sua vida só ela as conhecia e só a raros as contava.
O romancista deu o nome desta mulher à mais simpática personagem da sua novela. Os cenários são as margens do rio Pele.
A acção passa-se, porém, no Tâmega. Mas foi o riacho de Landim, com as suas margens, as suas agrinhas, os seus lugarejos, os seus açudes, e a sua azenha, que emprestou as tintas para os quadros de paisagem que enriquecem este trabalho.


Photobucket
Chegou-me ainda às mãos, mais um dos textos de Camilo, declamado no Mosteiro de Landim pelo Prof. António Sousa e alumiado pelo Dr. José Manuel Oliveira, do Centro de Estudos Camilianos.

A MURRAÇA

Canto 1º

Os cónegos, e os socos bem puxados
Que da Sé episcopal na sacristia,
Em queixos nunca dantes soqueados
Ferveram com rev’renda valentia:
E aqueles que deverem ser cantados
Quase filhos de sagaz patifaria,
Cantando, espalharei por todo o Porto
Qual se espalha o fedor de cão já morto.
(…)
Ó soco mais cruel que o próprio dardo,
Que estalaste nos queixos duro e horrendo,
Nos sagrados queixinhos do Bernardo,
E tangido por mão doutro reverendo!
Ah! Soco imortal, soco bem dado!
Salve, soco grande, audaz, estupendo!
Um reinado vais ter d’inteira glória,
Um soco ficarás sendo da história!
(…)
Estava a luz apagada, que o morcego
Ao roçar-lhe co’a asa a apagara;
Tornou o padre a si, achou-se cego
E diz a vizinhança que berrara:
A’ del-rei! Venha luz! ’stá como um prego!
Não vejo… quem me acode… ai, a minha cara!
Quem me tira das costas este fardo!
Quem socorre o mesquinho João Bernardo!
(…)
– Ai, mesquinho de mim! Que negro agouro
– É esse que este cão aqui me envia!
– Terei de ver perdido o meu tesouro,
– Tirar-me-ão os Cabrais a conezia?
– Se assim é, ah cruéis! Que dou um estouro!
– Assim me pagareis a serventia?!
– Ah, não creio, não creio seja tanto,
– E, se é, vale-me tu, Ambrósio santo!
(…)
Canto 3º

Stavas, padre João, pacato e quedo
Da prebenda comendo o pingue fruito,
C’os queixos inda virgens do soquedo,
O que o Passos não deixa durar muito.
Na pandiga folgada sempre ledo
C’o estômago de vinho nunca enxuito,
Mandando aos jornais artigozinhos,
Contra o Passos, que come a dous carrinhos.
(…)
Muito obrigado, ó Musa, vai-te embora,
O meu empenho fiz – cantar os murros.
Tu comigo serás, se em outra hora
Necessário me for cantar tais burros…
Pelo pouco que disse aqui agora
Se eu nos padres sentir esturros,
Ó Musa, tu virás, logo que eu possa,
E vós, padres, fugi, que eu dou-vos coça.

Camilo Castelo Branco


(Obrigada, António Sousa!)




quarta-feira, 13 de maio de 2009

Avé Maria Rogai Por Nós!

Procissão das velas, em Vila Nova de Famalicão, no ano passado:








Ano, após ano, realiza-se esta Procisão das Velas na noite de 12 de Maio. Cada vez, mais peregrinos vindos de todo o concelho, ou mesmo de fora, acorrem a participar nesta homenagem a Nossa Senhora de Fátima. Por tradição, esta procissão é dedicada aos Bombeiros Voluntários Famalicenses, eles transportam a Senhora e efectuam uma paragem em frente do seu quartel, escrupulosamente enfeitado para receber tão ilustre visita e, onde é feita uma grande Oração de Benção aos Bombeiros da Paz. Juntam-se centenas de pessoas em volta do quartel para ouvirem e participarem desta cerimónia. A procissão segue até ao Hospital, onde é feita nova paragem com outra cerimónia de benção para todos os doentes.

As ruas da cidade estão enfeitadas de tapetes de flores efectuados pelos moradores dos prédios. Os bombeiros prestam ajuda carregando água e flores para que nada falte à Senhora. Desde a Igreja Matriz velha e até ao regresso à mesma, centenas de pessoas acendem a sua vela e seguem a procissão cantando as orações de Fátima. Acendem-se velinhas nas varandas dos prédios e deitam-se pétalas de rosa quando a Senhora passa. É um cenário comovente e de imensa Fé, mostrada por um povo que não tem preconceito em mostrar o quanto ama a Bela Senhora que apareceu aos três pastorinhos.




Em 2007, numa das aldeias de V. N. Famalicão, assisti aos preparativos de uma outra procissão de velas, em honra de Nossa Srª de Fátima: