Fotografia do "Rio Cávado, no Gerês"

domingo, 29 de janeiro de 2012

Paço dos Duques de Bragança - Guimarães

Dezembro de 2009

História

O Paço dos Duques de Bragança, exemplar representativo da arquitectura senhorial quatrocentista e berço da Casa de Bragança, localiza-se numa colina sobranceira ao burgo muralhado.

O Paço foi mandado construir por D. Afonso (filho ilegítimo do rei D. João I), entre os anos de 1420 -1422, por altura do seu segundo casamento com D. Constança de Noronha (filha do conde de Gijón e Noronha).

Esta moradia senhorial foi essencialmente habitada durante o século XV. Na centúria seguinte assistiu-se a um progressivo abandono e a uma consequente ruína (motivada por factores políticos e económicos), estado que se agravou até ao século XX.

Este estado de ruína não foi impeditivo de se identificarem, no primeiro quartel de novecentos, alguns elementos arquitectónicos comuns às casas fortificadas, bem como soluções construtivas importadas da Europa setentrional, como a organização simétrica em torno de um pátio central e os vestígios de múltiplas chaminés, conferindo ao conjunto aspectos singulares e únicos no âmbito da arquitectura civil portuguesa de finais da Idade Média.


Entre 1937 e 1959 realizou-se uma ampla e complexa intervenção de restauro, da responsabilidade do arquitecto Rogério de Azevedo. Procedeu-se também à aquisição do recheio actual, composto por peças de arte variadas e datadas, essencialmente, dos séculos XVII e XVIII.

Do referido acervo destaca-se o conjunto das quatro cópias das tapeçarias de Pastrana, cujo desenho é atribuído ao pintor Nuno Gonçalves, as porcelanas "Companhia das Índias", as faianças do Rato, Prado, Viana, Rocha Soares, diversas tapeçarias flamengas e d'Aubusson e mobiliário variado.

O paço encontra-se classificado como Monumento Nacional desde 1910. Actualmente, é um serviço dependente do Instituto dos Museus e da Conservação (IMC) e integra o Museu (1º piso), uma ala destinada à Presidência da República (fachada principal, 2º piso) e uma vasta área vocacionada para
diversas iniciativas culturais.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A 1º pedra na edificação de um país... Srª da Luz!


A MEU PAI, MANUEL JOAQUIM RAMOS...

"O Amor há-de vencer e a alma libertar... - o Amor a Portugal!"

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Recentemente, ouvi a um pesquisador da "História de Portugal", que este lugar de "Senhora da Luz", em Creixomil, teria sido o presumível local da batalha de S. Mamede, em Guimarães. No local há uma placa, quase ilegível, onde diz "1075 anos de História - de 926 a 2001"

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Batalha de S. Mamede

Batalha travada a 24 de Junho de 1128 "in campo Sancte Mametis quod est prope castellum de Vimaranes". Desde 1112, ano da morte do seu esposo, D. Teresa detinha o governo do condado Portucalense tendo a seu lado fidalgos castelhanos, nomeadamente Fernão Peres de Trava, com quem, pensa-se, terá mantido uma relação marital. Já desde 1127 o infante Afonso Henriques mantinha discórdias importantes com sua mãe; tentou por este motivo apoderar-se do governo do Condado.


As tropas do infante e dos barões portucalenses enfrentaram as de Fernão Peres de Trava e dos seus partidários portugueses e fidalgos galegos no dia de S. João Baptista do já referido ano de 1128. A vitória foi para D. Afonso Henriques. O cronista do mosteiro de Santa Cruz aproveitou a coincidência da data da batalha com a festa religiosa para exaltar o acontecimento, conseguindo colocá-lo ao nível das intervenções divinas. S. João Baptista tinha sido o anunciador de Jesus Cristo pelo facto de a batalha se ter dado na data em que se venera esse santo e a vitória ter sorrido a D. Afonso Henriques. Tal facto é, para o cronista, prova de que o infante era, também ele, o anunciador do aparecimento de um novo reinado.


Efectivamente, esta batalha foi decisiva, pois com ela mudaram os detentores do poder no condado (expulsão de D. Teresa e do "seu conde") e mudaram ainda as relações das forças sociais para com o próprio poder. Os barões portucalenses, ao escolherem D. Afonso Henriques para seu chefe, recusavam-se a aceitar a política da alta nobreza galega e do arcebispo de Compostela; por esta via estavam a inviabilizar um reino que englobasse Portugal e a Galiza. Desencadearam uma corrente independentista capaz de subsistir por si só e capaz de resistir a todas as tentativas posteriores de reabsorção.


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A localização exacta do campo de batalha é ainda pouco precisa; sabe-se, no entanto, que a refrega se deu, sem qualquer dúvida, perto de Guimarães.











Nota: A minha saudosa sobrinha Ângela deixou-me aqui um único comentário neste blog, em Dezembro de 2009; mal eu sabia que sete meses depois ela partiria deste mundo. Que a Luz esteja com ela!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

D. Afonso Henriques e o Milagre de Cárquere

Enigmas


Quantas vidas se contariam
se estas cadeiras falassem,
se as mesas articulassem
palavras,
elas falariam
de tão diferentes pessoas.

As emoções diversas
relembram soluços e risos,
as vidas que passam por aqui
misturam-se, condimentadas,
num enigmático
profanar de confidências.

Publicada por 

Santuário de Nossa Senhora de Cárquere 


Está localizado na vertente da Serra de São Cristóvão, a 6 Km da vila de Resende. A igreja é de uma só nave, com características de estilo manuelino. A capela-mor, gótica, deverá datar dos fins do século XIII ou inícios do século XIV. Contígua à sacristia, na parte mais antiga do edifício, situa-se a capela funerária dos senhores de Resende. A torre sineira é do século XIII. Foi antigo Mosteiro dos Cónegos Regrantes de Sto. Agostinho e posteriormente dos Jesuítas.

Localização
- Mosteiro de Santa Maria de Cárquere
4660
Distrito: Viseu
Concelho: Resende
Freguesia: Cárquere









Como D. Egas Moniz (1) criou D. Afonso (Henriques), filho do Conde D. Anrique, e como (o mesmo D. Afonso Henriques) foi são per milagre de Nossa Senhora d’ aleijão com que nasceu.
/f. 5/
DEPOIS que o Conde D. Anrique / assi / (2) foi casado com Dª Tareja, (3) filha del-Rei / D. Afonso (VI) / (4) de Castela, como dito é, vindo ela a emprenhar, D. Egas Moniz, (5) mui esforçado e nobre fidalgo, grande seu privado, que com ele viera de sua terra, a quem tinha feita muita mercê, chegou a ele, (6) pedindo-lhe que qualquer filho ou filha que a Rainha parisse, lho quisesse dar, pera o ele criar. (7) E o Conde lho outorgou.

E veio a Rainha a parir um filho, (8) grande e fermoso, que não podia mais / ser em / (9) uma criatura, salvo que nasceu com as pernas tão encolheitas que, ao parecer de mestres e de todos, julgarom que nunca poderia ser são delas. E nasceu no ano do nascimento de Nosso Senhor Jesu Cristo de M e XC e IV anos. (10)

Tanto que D. Egas Moniz soube que a Rainha parira, cavalgou depressa (11) e veio-se a Guimarães, onde o Conde D. Anrique estava, e pedindo-lhe, por mercê, que lhe desse o filho que lhe nascera, pera o haver de criar, como lhe tinha prometido. E o Conde lhe respondeu que não quisesse tomar tal cargo, que o filho que lhe Deus dera nascera, por seus pecados, tolheito de maneira (12) que todos tinham que nunca guareceria, nem seria pera (ser um) homem. E D. Egas Moniz, quando esto ouviu, pesou-lhe muito (13) e disse: -«Senhor, antes cuido eu que por meus pecados aconteceu isto. Mas, pois a Deus aprouve ser tal (14) minha ventura, dai-me, todavia, vosso filho, (15) quijando quer que seja». E o Conde, posto que tivesse grande pejo, pelo bem que a D. Egas Moniz queria, de o encarregar em semelhantes crianças, (16) por causa d’ aleigão da criança, contudo lha deu, por comprir (o que lhe tinha prometido). (17) (18)

E quando D. Egas vio a criança tão fermosa e com tal aleijão, (19) houve mui grande dó dela. E, confiando em Deus, que lhe podia dar saúde, a tomou (20) e a fez criar, não com menos amor e cuidado, (21) (do) que se fosse mui são. E, jazendo D. Egas Moniz uma noite dormindo, sendo já o menino de cinco anos, (22) lhe apareceu Nossa Senhora (23) e disse: -«D. Egas, dormes?» E ele, / a esta visão e voz, acordando, / (24) dixe: -«Senhora, quem sois vós?» E ela disse: -«Eu são a Virgem Maria, que te mando (25) que vás a um tal lugar - dando-lhe logo sinais dele - e faz i cavar, e acharás (26) uma igreja que, em outro tempo, foi começada em o meu nome, e uma imagem minha. Faz correger a igreja e a imagem, feita em minha honra. E isto feito, (27) farás i vegília, poendo (28) o menino / que crias / (29) sobre o altar, e sabe que guarecerá e /f. 5 v/ será são (30) de todo; e não menos te trabalha, daí avante, de o bem criar e guardar, (31) como fazes, porque meu Filho quer, por ele, destruir muitos imigos (32) da fé».

Desaparecida / esta visão /, (33) ficou D. Egas Moniz mui consolado e alegre, / como vassalo que, com são e verdadeiro amor, amava seu senhor e suas cousas /. E, tanto que foi menhã, alevantou-se logo, e foi-se, com gente, àquele lugar que lhe fora dito. E mandou (34) aí cavar, e achou aquela igreja e imagem, poendo em obra todas as cousas que Nª Senhora mandava. A qual e imagem, poendo em obra todas as cousas que Nossa Senhora mandava. À qual aprouve, por sua santa piadade, tanto que o menino foi posto sobre o altar, (ficou como se) nada tivera /. (35) (36)

/ Vendo /, (37) D. Egas Moniz, este tamanho prazer e milagre, deu muitos louvores a Deus e à Senhora Sua Madre, criando e guardando, daí avante, com muito amor e cuidado, (38) o menino, cujo aio foi sempre, até (39) que seu pai morreu em Estorga, sendo ele já de tamanha idade que, nas guerras e todas outras fadigas, supria os cargos de seu pai.(40) E, por causa deste milagre, foi, depois, feito, em esta igreja, com muita devação, o moisteiro de Cárcare.(41) E como quer que alguns contem seu nascimento haver sido Ultramar, e bautisado no rio Jordão, porém, por mais verdade, achei ser seu nascimento em a maneira que dixe.(42)
(C: f. 5 - G: p. 21 - P: p. 49, lin. 3)

In Crónicas dos Sete Primeiros Reis de Portugal, Edição Crítica, pelo Académico de Número Carlos da Silva Tarouca, S. J., Vol. I, Academia Portuguesa da História, Lisboa, M CM LII.


A grafia das palavras foi actualizada. As palavras colocadas entre parênteses foram acrescentadas, a fim de facilitar a compreensão do texto.

Aqui: http://www.eb1-passos-resende.rcts.pt/2004_2005/milagre-de-carquere.html