Fotografia do "Rio Cávado, no Gerês"

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domingo, 11 de dezembro de 2011

Serra da Estrela - Lago do Viriato (9)

A seguir às Penhas da Saúde, seguindo na direcção da Torre, encontra-se uma barragem, à esquerda, envolvida numa paisagem lindíssima, onde tudo inspira tranquilidade: é o Lago do Viriato.




TRILHO DE VIRIATO (7Km) - 3 horas
As Penhas da Saúde são uma estância de turismo a 1.500 metros de altitude óptima para repouso, pois proporciona ar puro e clima saudável.
Siga pela estrada até encontrar o Lago Viriato, cujas águas abastecem a Covilhã.
Continue a subir pela EN339, passando o cruzamento para Manteigas, até encontrar em baixo à direita, a Nave de Santo António (1.550 metros).
Continuando pela estrada, vamos encontrar na curva imediatamente a seguir, à esquerda, a Barragem do Covão do Ferro, também conhecida por Barragem do Padre Alfredo.
Junto à Barragem parte o caminho que sobe a encosta até à nascente do Terroeiro, no lado de Unhais, entre piornais, urzes e amontoados de pedras que rolaram da vertente e por entre as quais se ouve o correr das águas.
Continue em lacetes até encontrar uma passagem estreita entre as fragas que se destacam. E... respire fundo!...
Quinhentos metros mais à frente, do lado esquerdo, é a vista sobre Unhais da Serra e as montanhas xistosas da Lousã que maravilham o nosso olhar.
Continuando entre zimbrais e cervunais, sem caminho marcado, siga para Norte até chegar à Torre a 2.000 metros de altitude.
http://www.cm-covilha.pt/simples/?f=3225

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Serra da Estrela - De Tortosendo ao Fundão(8)

Uma voltinha pelos arredores da Covilhã, uma passagem por Tortosendo e pelo Fundão, para avivar memórias: lembranças da infância de uma amiga, em Tortosendo, e no Fundão uma recordação de um encontro em 2008, com amigos que só conhecia pela Internet.
Emoções que surgem no coração e nos levam aos locais próprios.



Em 1927 o Tortosendo foi elevado a Vila, tendo neste ano sido inaugurada a rede eléctrica na vila. Os teares mecânicos, movidos a outras formas de energia deram lugar a teares eléctricos, levando à melhoria da produção, em qualidade e quantidade. A partir desta data o progresso é vertiginoso. Algumas das suas fábricas adquirem fama no país. Os empresários e até certo ponto a Vila conheceram uma época de abundância que se prolongou até à década de 50. Ainda em 1955 havia no Tortosendo 19 fábricas de lanifícios com um número total de 502 teares, 27 caneleiras, 8 meadeiras, 22 bobinadeiras e 8 urdideiras.

O Fundão é uma cidade portuguesa no Distrito de Castelo Branco, região Centro e sub-região da Cova da Beira.
A cidade é um centro local importante de comércio, serviços e indústria. O concelho compreende parte das terras mais férteis da região, o grande vale da Cova da Beira, onde passa o Rio Zêzere e as suas numerosas ribeiras afluentes. São feitas grandes produções de cerejas e ginjas, pêssegos, azeite e vinho.
Existem minas de Volfrâmio (mineral do qual se extrai o metal Tungsténio), naPanasqueira(pertencentes ao concelho da Covilhã, mas as suas gentes também faziam vida no Fundão (Silvares)), de entre as mais importantes do seu tipo do mundo, também de chumbo e estanho. Existem quantidades de prata e ouro. A suaÁgua Mineral é das mais vendidas em Portugal.
Á saída norte para a Covilhã ao longo da EN 18 desenvolveram-se várias industrias e comércios de interesse até a nível nacional como a transformação de madeira, granitos, vidro e piscinas. Nesta zona existem vários hotéis, restaurantes e piscinas com interesse turístico.


De regresso à Covilhã...

Serra da Estrela - Tortosendo - "Carta à Fani"


"Carta à Fani"

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(Hoje faz 43 anos que me casei... estou só na foto porque o meu Luis não está connosco... está comigo... e eu ainda não sou capaz de o expor... estou-me a ver ao espelho e são duas "Fanis" porque eu fui feliz a dobrar... fui muito amada. - Fani, em 15/09)

Uma lágrima assomou ao olho e uma comoção enorme ao coração... estava em Tortosendo, a terra que vira nascer a Fani. E eu pensava que jamais visitaria as 'lembranças' da minha amiga...

Tanto me lembrei de tudo o que contaste sobre a vida dura daqueles tempos... os tempos que transformaram a neve em lã no teu coração: o imaginar-te assim, pequenina, como sempre o foste, mas ladina, com o desejo enorme das histórias contadas e imaginadas que ias sorvendo à luz da vela, os afetos que perdeste e ganhaste com a partida antecipada da tua mãe, o teu pai que se revoltava contra o fascismo e lutava por uma vida mais digna, ganhando em troca a prisão pela PIDE, o irmãozinho que criaste como se fora teu filho, o enorme coração que cresceu mais que a medida da tua altura de gente... tudo isso não saiu nem por um momento da minha mente. 
Tentei rever-te ali, naquela terra que assistiu aos teus primeiros passos... e deu-me a sensação que pouco achei, procurei nas casas humildes e senhoriais, que se avistavam da estrada, na fábrica em ruínas, na praceta, nas pessoas que poderiam assemelhar-se à tua vivência, mas não tive eco! 

Só o rio.. o rio Zêzere me falou de ti... porque riu alto, saltou pelas pedras com aquela alegria cristalina de quem sabe sempre que tem um destino à sua espera e nada o poderá travar... ele, sim, tinha a tua garra, a tua paixão pela vida, a tua estatura no olhar, por saber contornar todos os obstáculos... (lembras-te como te elevas 'em bicos dos pés' quando queres que a tua voz sobressaia sem microfone? Pois eu lembro-me - no Dia da Mulher, aqui em Famalicão - e noutros momentos). 

Não me esquecerei nunca da "professora" perdida no meio da floresta encantada dos seus príncipes... aquela que eu 'percebi' na sala de aula que partilhavas comigo - e, quando te procurava entre os pequenos achava-te tão pequena quanto eles, todos sentados no estrado da sala, envolvidos nas mais belas histórias que ainda não tinham ouvido... e eu também não, como quando me falavas da tua infância, porque eras real, tangível, porque o sentimento expressava-se em todo o teu corpo... nas tuas memórias, nas leituras que fazias da "tua amada Serra". 
Fani, és a mulher dos "Afetos"... dos teus netos, dos filhos teus e dos outros, do teu amado Luís..., na mais terna canção de amor que a Estrela da Serra te pôde oferecer para quando fosses grande (e como o foste!)...
Tu és o livro vivo, a verdadeira história de encantar!...
Ler-te... é um prazer!



Em 1927 o Tortosendo foi elevado a Vila, tendo neste ano sido inaugurada a rede eléctrica na vila. Os teares mecânicos, movidos a outras formas de energia deram lugar a teares eléctricos, levando à melhoria da produção, em qualidade e quantidade. A partir desta data o progresso é vertiginoso. Algumas das suas fábricas adquirem fama no país. Os empresários e até certo ponto a Vila conheceram uma época de abundância que se prolongou até à década de 50. Ainda em 1955 havia no Tortosendo 19 fábricas de lanifícios com um número total de 502 teares, 27 caneleiras, 8 meadeiras, 22 bobinadeiras e 8 urdideiras.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Serra da Estrela - Covilhã (7)

E chegadas à Covilhã... ao destino a que nos propúnhamos, rondamos a cidade numa  'calorosa' noite dos finais de Novembro.

De noite, encontramos a Mãe - a Estrela da Serra. 

No solarengo dia seguinte, visitamos o Pêro... o da Covilhã, figura imponente, majestosa... a deixar-nos reduzidas à nossa insignificância... na demanda do reino de Preste João.

Mas percorrer a cidade traz também o 'aperto no coração', pelas memórias de outros tempos... muito duros... em que a neve rivalizava com a lã,  tão bem descritas pelo escritor "Ferreira de Castro".




A Covilhã é uma cidade portuguesa, porta da Serra da Estrela, com cerca de 34 mil habitantes... 
Situada na parte sudeste da Serra da Estrela, a área urbana da Covilhã possui altitudes que variam de 450 a 800 metros. É também a cidade portuguesa mais proxíma do ponto mais alto de Portugal Continental, a Torre (1.993 metros), distando cerca de 20 km do cume da Serra da Estrela. A Torre pertence aos concelhos de Covilhã, Manteigas e Seia. A Torre também dá o nome à localidade onde está situada, a parte mais elevada da serra.
É a terra da indústria da lã, de cariz operário, berço de descobridores de quinhentos, hoje uma cidade com Universidade pública.
É uma cidade de características próprias desde há séculos, conjugando em simultâneo factos interessantes da realidade portuguesa.


Num estudo elaborado pelo jornal Expresso, sobre a qualidade de vida nas cidades portuguesas, a Covilhã ocupa a 14ª posição, situando-se à frente das restantes cidades do interior do país.






Pêro da Covilhã

Viajante português do século XV. Foi enviado à Índia e à Etiópia por D. João II, em 1487, a fim de recolher informações acerca do Preste João e das rotas do comércio das especiarias. Ia com ele Afonso de Paiva, de quem se separou em Adém. No ano seguinte, Pero da Covilhã esteve em Goa, Ormuz e Calecute, percorrendo depois a costa oriental de África. Fazendo chegar ao rei, através de um emissário, as informações recolhidas, partiu em 1492 do Egito para a Etiópia, onde morrera entretanto Afonso de Paiva e onde Covilhã também morreu.

http://www.infopedia.pt/$pero-da-covilha

A Lã e a Neve



Romance de Ferreira de Castro publicado em 1947. Retrata a dura realidade da vida do povo, através do relato da vida de Horácio. No sonho de construir uma casinha decente, esta personagem abandona a pastorícia da Serra da Estrela, onde lutava contra as tempestades, e vai para a fábrica da Covilhã, onde tem de lutar contra a prepotência dos capitalistas.
http://www.infopedia.pt/$a-la-e-a-neve



Do «Pórtico» de A LÃ E A NEVE (1947)
[...]
No começo do Verão, antes de demandar os altos da serra, ovelhas e carneiros deixavam, em poder dos donos, a sua capa de Inverno. E começava a tecelagem. O homem movia, com os pés, a tosca construção de madeira, enquanto as suas mãos iam operando o milagre de transformar a grosseira matéria em forte tecido. Constituía o acto uma indústria doméstica, que cada qual exercia em seu proveito, pois a serra não dava, nessas recuadas eras, mais do que lã e centeio.
[...]
Um dia, tudo se revolucionou. Já não se tratava de melhores debuxos, de mais gratas cores, mas de coisa mais profunda -- da produção automática. Lá nas nevoentas terras inglesas o padre Cartwright inventara o tear mecânico. A água fazendo girar grandes rodas, começara a produzir o movimento dado, até aí, pelos pés do homem. Mas continuam a ser precisos os homens junto das novas máquinas.
[...]
Os homens passavam os dias e as noites dentro das fábricas só saindo aos domingos, para esquecer o cárcere. Já não viam as ovelhas, nem ouviam os melancólicos tanger dos seus chocalhos nos pendores da serra, ao crepúsculo; viam apenas a sua lã, lã que eles desensugavam, cardavam, penteavam, fiavam e teciam, lã por toda a parte.
[...]
No século XX, mais do que sons de flautas pastoris descendo do alto da serra para os vales, subiam dos vales para o alto da serra queixumes, protestos, rumores dos homens que, às vezes, se uniam e reivindicavam um pouco mais de pão.

FERREIRA DE CASTRO - A Lã e a Neve, 15.ª edição, Lisboa, Guimarães Editores, 1990.


http://www.ceferreiradecastro.org/?id=2.2.1.7.5

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Serra da Estrela - Penhas da Saúde (6)

Um lugar muito especial na serra, respira-se o ar fresco da montanha e, num dia de sol lindo, uma pessoa até se esquece do mundo, tal é a beleza do local. 
No alto da montanha, pertinho lá do céu... Ah! Quem me dera lá viver!
Há uma aldeia a nascer, com casinhas que vão sendo restauradas, muito giras, mas tudo deserto...
É também uma zona de chalés para alugar, um bairro inteiro! 
Alguns hotéis lindos, com vistas magníficas sobre a serra...
E, depois, há a Lagoa do Viriato para fazer umas caminhadas, mas a seu tempo lá chegaremos.

Penhas da Saúde


Penhas da Saúde e uma bonita aldeia de montanha situada bem no coração da imensa Serra da Estrela, pertencente ao município da Covilhã. 


Situada a cerca de 1500 metros de altitude, as Penhas da Saúde ganham vida com a chegada do Inverno, quando se enchem de neve e turistas. 


A paisagem montanhosa de ar puro e paz de espírito é o grande atributo desta localidade, que prima pelo alojamento e oferta turística como estalagem, hotel e “chalets” de montanha que lhe confinam uma imagem muito própria. 


Anteriormente as Penhas da Saúde eram uma conhecida estância termal e, devido aos puros ares da montanha, um local ideal para curar doenças respiratórias, como ainda se pode observar no antigo edifício do Sanatório dos Caminhos de Ferro que, de acordo com um projecto em curso, será adaptado a Pousada Regional. 


Está, igualmente, em curso actualmente um projecto camarário que visa dotar as Penhas da Saúde com cerca de 500 habitações e zonas de comércio que serão apoiadas por diversos equipamentos sociais, culturais e desportivos, transformando-a numa estância de montanha de excelência. 





Sanatório transformado em Pousada

Projectado pelo arquitecto Cottinelli Telmo nos anos 20,foi mandado construir pelos Caminhos de Ferro para tratamento de Tuberculose dos seus funcionários, visto poderem beneficiar da localização em sitio calmo e dos ares da Serra, fazendo parte da rede de 11 sanatórios, existentes no inicio do século XX.
Demorou 8 anos a ser construído (1928-1936) e permaneceu fechado durante outros tantos anos, devido a circunstâncias diversas e estranhas à CP. Depois viria a ser arrendado à Sociedade Portuguesa de Sanatórios, com a condição de receber todos os doentes necessitados de tratamento de altitude, tendo cinquenta camas à disposição da Assistência Nacional aos Tuberculosos.
O edifício acolheu, ao longo de mais de 40 anos, muitos milhares de tuberculosos, provenientes de todo o país, que procuravam recuperar da Tuberculose nos bons ares da Serra da Estrela.
Apesar de acolher doentes de todas as classes sociais, os doentes menos favorecidos não tenham acesso a todas as alas, algumas destinadas apenas às classes altas, que ali encontravam todo o conforto que o dinheiro podia comprar.
Oito anos após a cedência, o edifício passou para as mãos do Estado, tomando conta dele o Instituto de Assistência Nacional de Tuberculose (IANT), passando também a partir de 1953, a ser internados doentes pobres.
O recurso à quimioterapia antituberculose, levou ao encerramento dos sanatórios afastados dos centros urbanos e pouco rentáveis. E o Sanatório das Penhas da Saúde não mereceu diferente sorte, fechando as portas em Junho de 1969.
Em 1969, por ordem do Ministério de Saúde e Assistência seria dada ordem de encerramento. O seu ultimo director Dr. Carlos Coelho, licenciado em Medicina e Cirurgia pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, acabou por ser o ultimo testemunho do encerramentodo Sanatório.
Palco de grandes historias humanas, umas com sucesso, outras dramáticas, devido as carências na época. Portugal entrava em guerra com algumas colónias em África, que originou uma época de grande crise, pobreza e miséria,
Nos anos seguintes, houve a tentativa de aproveitar a estrutura, chamando-se Abrigo dos Hermínios com a finalidade de servir de albergue, estrutura de apoio ao alojamento na Serra da Estrela, tendo sido mesmo mudadas todas as camas do edifício.Após o 25 de Abril, e devido à falta de alojamento, serviu de residência temporária aos retornados e refugiados das antigas colónias.
Desde os anos 80 que foi deixado a um abandono profundo, que tem originado o seu estado de degradação até aos nossos dias.
Avaliada entre cem e cento e cinquenta milhões de euros, a reconstrução do Sanatório ultrapassa as possibilidades da Turistrela, o que obrigou à cedência em favor da Enatur.
A 28 de Novembro de 1998, o Sanatório é vendido pela Turistrela à Enatur, pela simbólica quantia de 1 escudo. Em troca, entre outras contrapartidas, a Enatur compromete-se a reconstruir o edifício e transformá-lo numa Pousada Regional de grande qualidade.´