Fotografia do "Rio Cávado, no Gerês"

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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Um dia eu era barco...

BARCO
.
Um dia era era barco
..............................e
...........estaria certo?
um barco é só barco –
fluxo madeira ferro..... fluido bandeira ferro
louco sistemático livre no mar redondo
à espera
.
..................ah
eu era barco –
norte sem bússola..... forte sem música
e havia uma transcendência grave
na grande esfera.
.
Pouco ou nada
........sinais quadrados números
........finais princípios fumos
........ah
pouco ou nada..... ou nada.
.
........Vitórias vigília glória
........viragem ventos fúria
eu era um barco
vertiginosamente eu era um barco.....
só barco
só.
.
No barco..... um dia..... vento vertigem
do fundo da fúria..... a fúria do vento
a origem
.
..........ah
meu barco..... num dia..... barco
total.
.
Rugias oh vento
bramias oh fúria
meu casco partiu
oh frágil madeira
oh ferro já frio.
-
Lutei toda a noite
os meus passageiros
a carga fretada
................... ah
o porto distante
espera o teu nada.
.
Fui um barco meditando
.... morrer no meu posto na luta do dia
.....voltar ao meu porto..... e um dia
.....ah um dia..... na fúria do ciclo
.....entregue à sucata;
.
os meus passageiros..... deixá-los aqui
levá-los daqui ao porto distante
.....pra quê
.
.............ah
oh madeira oh meu ferro oh novíssimo nylon
......na luta do dia morrer no meu posto
......na fúria do ciclo voltar ao meu porto?
.............ah
.
TENHO DE LER A HISTÓRIA DO MUNDO.......................DESDE O PRINCÍPIO
Poesia de Vieira Calado
http://vieiracalado-poesia.blogspot.com/2008/09/barco_22.html




terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Miguel Torga - Terra Mãe

Terra-Mãe - O Teatro e a Envolvente

Para celebrar o Dia Internacional da Língua Materna - 21 de Fevereiro
Miguel Torga 

apresentado por Ivo Machado - compositor e cantor 
António Sousa - declamador

 Uma noite diferente no café-concerto da Casa das Artes de Famalicão


“TERRA-MÃE“ é um projecto original em torno da poética de Miguel Torga.
Intercala poemas cantados, apresentados num formato minimalista – guitarra/voz –, com poemas declamados.
Os poemas escolhidos remetem-nos para veios temáticos importantes no universo poético de Miguel Torga, como o canto das coisas elementares; a simplicidade poética, inspirada na natureza; o sentimento telúrico; o forte apego à terra; a apologia da terra firme e das raízes que nela se cravam; valorização da realidade rural, terrena; valorização da sabedoria da terra.









O empenho e amor à poesia fazem com que estes dois professores levem os seus projectos às escolas, associações e outros, doando muito de si e da obra poética portuguesa.
Grande louvor para gente que assim se dá à Terra Mãe!





Parabéns aos dois!

domingo, 31 de outubro de 2010

Perante Deus e a morte...

"Somente onde há sepulturas há também ressurreições"


(Nietzsche)


"Quero fazer os poemas das coisas materiais,


pois imagino que esses hão de ser

os poemas mais espirituais.

E farei os poemas do meu corpo

E do que há de mortal.

Pois acredito que eles me trarão

Os poemas da alma e da imortalidade."


E à raça humana eu digo:

-Não seja curiosa a respeito de Deus,

pois eu sou curioso sobre todas as coisas

e não sou curioso a respeito de Deus.

Não há palavra capaz de dizer

Quanto eu me sinto em paz

Perante Deus e a morte.

Escuto e vejo Deus em todos os objetos,

Embora de Deus mesmo eu não entenda

Nem um pouquinho...


Ora, quem acha que um milagre alguma coisa demais?

Por mim, de nada sei que não sejam milagres...


Cada momento de luz ou de treva

É para mim um milagre,

Milagre cada polegada cúbica de espaço,

Cada metro quadrado de superfície

Da terra está cheio de milagres

E cada pedaço do seu interior

Está apinhado de milagres.


O mar é para mim um milagre sem fim:

Os peixes nadando, as pedras,

O movimento das ondas,

Os navios que vão com homens dentro


- existirão milagres mais estranhos?"

(Walt Whitmann)

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Maré de Sonhos - Ivo Machado



No passado dia 19, Ivo Machado apresentou o seu novo disco: "MARÉ DE SONHOS".

Foi um excelente e belo "Tributo aos Poetas Famalicenses", com "música /poesia/teatro",  quase a esgotar o grande auditório da Casa das Artes, em Famalicão.

Poetas


Álvaro de Castelões

Aurélio Fernando

Camilo Castelo Branco

Fernando Carneiro

Flora Castelo Branco

Júlio Brandão

Manuel dos Santos Marques

Manuela Monteiro



Convidados

António Sousa - declamador

Coro Juvenil “ A Ilha dos Amores “, Escola EB 2/3 Júlio Brandão, sob a direcção artística do Prof. Rui Mesquita

GRUTACA – Grupo de Teatro Amador Camiliano


Sobre Ivo Machado:

«A sua abordagem musical à poética famalicense data de 1999 com o projecto “ Trovas Simples “. A experiência colheu junto dos famalicenses e, Ivo Machado, tenta explorar este universo com novos projectos: “ Com Tempo e Poesia “ ( 2003 ) e, “ Por entre Sonhos e Silêncios “ ( 2004 ), que embora bem aceites revelaram-se efémeros.
Para contrariar essa efemeridade, Ivo Machado cria novo projecto musical - “ Maré de Sonhos “ - agora alicerçado em disco e sustentado no respectivo livro de partituras.
Abordando a poética de Camilo Castelo Branco a Júlio Brandão passando por Aurélio Fernando e Manuela Monteiro, o disco contempla 12 canções de melodia simples e cariz popular, mas de harmonia rica e sugestiva, num formato minimalista: guitarra/voz.

O projecto foi concebido para levar os poetas ao seu povo. Que o desiderato se cumpra. Oxalá!
Concepção e voz : Ivo Machado
Guitarra clássica e arranjos : Carlos Carneiro»

Fica aqui o meu testemunho fotográfico:








Não há nada mais vão


e mais só

que os mastros despidos

dos barcos perdidos

em portos desertos

chorando a ausência do mar

e das brumas

sonhando o sol o sal e o vento

quilhas cantando a imanência

das águas

cavalgando potros com asas de espuma



E no fino frio de um dia cinzento

voa sobre o cais o grito das gaivotas


“ Não há “, poema de Manuela Monteiro, que integra o álbum “ Maré de Sonhos “

quarta-feira, 24 de março de 2010

Morre lentamente quem não viaja - sobrevoando Portugal

"Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere O "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da Chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!»

Pablo Neruda

(Agradeço o envio deste belo poema à minha amiga Helena Aguiar)



quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Palavras

Porque hoje é dia 24 de Fevereiro...!



palavras...
palavras gravadas na pedra e oferecidas ao vento do amor, palavras com cheiro de pele, de sangue, de suor, de dor, de riso e de esperança, embrulhadas como prendas e levadas no bico dos pássaros, palavras leves, beijos de água, que servem para lavar as mágoas, palavras aladas, luminosas, musicais, que se reportam ao percurso da alma...

Do poeta Eduardo Aleixo
5/4/2009
http://ealeixo.blogspot.com/

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Percorro...


Percorro
no marulhar da praia deserta
os traços dos teus passos
sabe-me a sal
o ar que respiro
e lembro-me do teu corpo

suado
cálido de madrugadas
ardentes
balsámicas
perturbadoras
dementes
saio do risco dos traços
desvio olhares
horizontes perdidos
na voragem das horas
alcanço-te já tarde
na linha da maré
solitária está a praia
as últimas gaivotas
esvoaçam com alarido
e no esplendor dum abraço
duma traição
dum beijo
um supremo gemido.

Carlos d' Estrufe
In "Poemas 5 Inquietações" (Vila Nova Famalicão 2005)


Fotos da Póvoa de Varzim, Fevereiro de 2010

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Quando o amor anda no mar...



Enlaça-me a ti num abraço
como se fôssemos um só
aperta-me a ti com um laço
prende-me a ti com um nó.
Se desapertas o laço
que me prende a ti com um nó
podes crer que o faço
dou ao laço mais um nó.
Aperta-me a ti com um laço
como se fôssemos um só
desfaz o nó, desfaz o laço
que já cego está o nó.


Carlos d' Estrufe
in Poemas 5 Inquietações (Vila Nova Famalicão 2005)

Carlos d' Estrufe, pseudónimo de José Carlos Moreira Serra, nasceu na Póvoa de Varzim em 2 de Agosto de 1947. Vive actualmente no concelho de Vila Nova de Famalicão.

Engenheiro Técnico - Electromecânico (por formação);
Professor do Departamento de Matemática do Ensino Básico (por vocação);
Agricultor (por tradição); 
Poeta (por paixão).

Fotos: Póvoa de Varzim, Fevereiro de 2010

sábado, 9 de janeiro de 2010

Príncipe dos Poetas Líricos - Diogo Bernardes








Diogo Bernardes (1520-1605) nasceu em Ponte da Barca, Alto Minho, e estudou em Braga. Foi moço de câmara do rei D. Sebastião e acompanhou-o a Alcácer Quibir (1578), tendo ficado prisioneiro dos Mouros depois da batalha.

Relacionou-se com António Ferreira, Sá de Miranda e Pêro Andrade Caminha, tendo partilhado com eles as concepções clássicas, como a fidelidade aos modelos greco-latinos e renascentistas espanhóis e italianos.

Obras: Rimas ao Bom Jesus e à Virgem Gloriosa sua Mãe (1595), O Lima (1596) e Flores do Lima (1597).



O Lima e o Bucolismo de Diogo Bernardes

Meu pátrio Lima, saudoso e brando,

Como não sentirá quem Amor sente,

Que partes deste vale descontente,

Donde também me parte suspirando?


Se tu, que livre vás, vás murmurando,

Que farei eu, cativo, estando ausente?

Onde descansarei de dor presente,

Que tu descansarás no mar entrando?


Se te não queres consolar comigo,

Ou pede ao Céu que nossa dor nos cure,

Ou que trespasse em mim tua tristeza:


Eu só por ambos chore, eu só murmure,

Que d'um fado cruel o curso sigo,

Não tu, que segues tua natureza.


Fonte: Projecto Vercial
http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/diogob.htm

Fotos do Rio Lima em Ponte da Barca - Janeiro 2010 /Lucília Ramos:


Ponte da Barca, um paraiso escondido no interior do Alto-Minho.

Ponte da Barca, em pleno coração do Alto Minho deve o seu topónimo à "barca" que fazia a ligação entre as duas margens, e é a "ponte" construída em meados do séc. XV que lhe vai dar o nome de S. João de Ponte da Barca (1450).

O topónimo Ponte da Barca aparece pela primeira vez nas "inquirições" de 1220, sendo antes conhecida pelo nome de Terra da Nóbrega (ou Anóbrega). Mas já em 1050 se mencionaria um ponto de passagem da "Barca" no cruzamento da via dos peregrinos que, de Braga, demandavam a Santiago ou que, da Ribeira Lima, se dirigiam a Orense, por Lindoso. É vila sede de concelho, com cerca de 1500 habitantes, cujo foral, concedido por D.Manuel, remonta a 1513.
Terra rica, fidalga, de feição arejada, as Terras da Nobrega viram poetas da paisagem, das fontes e da saudade limianas. Mas Ponte da Barca, também, vila morena, de granito talhada, cheia de construções apalaçadas com capelas e muros fronteiros, ameados e brasonados do séc. XVI e XVII, os Paços do Concelho, o pelourinho, o abrigo porticado, a Matriz dedicada a S. João Baptista e com risco de Vilalobos. E ao lado de todo este espólio histórico/monumental, em plena harmonia de linhas e cérceas, uma vila nova a cheirar a progresso, uma Ponte da Barca atractiva e moderna.
Ponte da Barca turística, com as suas pesqueiras do Rio Lima (pesca da lampreia), seus coutos de caça, desportos nauticos, praia fluvial, um bom equipamento de restauração e de animação hoteleira, artesanato, folclore, uma gastronomia de requinte, e aquele vinho branco extra reserva da Adega Cooperativa, acompanhado sempre por um saber receber como ninguem, fazem de Ponte da Barca uma terra de eleição.

Copyright © 2008 Nuno Gonçalves

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Marinheiro de Aventura com seus erros navegando...

Portugal só pode ser festejado com Camões, num poema de Agostinho da Silva e na voz de Ivo Machado.


Ivo Machado, um professor que sempre valorizou a Arte como um meio de ensino, se não o único.
Dando a conhecer aos alunos os nossos poetas e como eles podem ser ouvidos.
Um professor que não se ficou pelas 'operações de quebrados' - como diria Camilo C.B..
Fez da música (compositor), da poesia e do teatro, o alimento principal nas suas horas de convivência com o mundo escolar.
Mas esse tempo esgotou-se... o Ministério da Educação acaba com qualquer bagagem artística - só conhece a lengalenga das operações quebradas a um só ritmo.
Ivo Machado aposentou-se e apresentou no auditório da Fundação Cupertino de Miranda um recital em forma de aula, a sua última aula, onde homenageou Agostinho daSilva:




Marinheiro de Aventura com seus erros navegando...
Para ti, Ivo Machado, que foste um verdadeiro Descobridor!
O meu mais sincero apreço,
Lucília



E, ainda, de Agostinho da Silva: "Travesso Coração"

terça-feira, 19 de maio de 2009

Tempo de Poesia - Tempo de Museus

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18 de Maio de 2009

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Recital de Música e Poesia ainda em noite de celebração de museus, num espaço muito agradável, com os lugares certos para sentar o grupinho de pessoas, já familiares, que se deslocaram a uma das salas da Fundação Cupertino de Miranda, em Vila Nova de Famalicão.

E todo o tempo foi realmente de poesia: três professores procurando viver todo o seu tempo com arte, presentearam-nos com música e poemas cantados pelo Ivo Machado, acompanhado ao piano por Rui Mesquita; e declamados pelo António Sousa.

Ivo Machado cantou Sophia, Manuel Alegre, Gedeão, Agostinho da Silva e José Luís Tinoco.
António Sousa declamou Gedeão, Pessoa, Baudelaire, Sophia e Alexandre O´Neil.

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Terminou este recital com a "Pedra Filosofal"; a assistência fez coro, ficou embalada no sonho constante da vida, cada estrofe cantada ou declamada pulava de um para outro artista e, avançava... colorida, mais ainda, pela voz de uma criança que ali se encontrava.

Foi lindo!

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Poema declamado pelo António Sousa:

ENQUANTO


Enquanto houver um homem caído de bruços no passeio
E um sargento que lhe volta o corpo com a ponta do pé
Para ver quem é,
Enquanto o sangue gorgolejar das artérias abertas
E correr pelos interstícios das pedras,
Pressuroso e vivo como vermelhas minhocas despertas;
Enquanto as crianças de olhos lívidos e redondos como luas,
Órfãos de pais e mães,
Andarem acossados pelas ruas
Como matilhas de cães;
Enquanto as aves tiverem de interromper o seu canto
Com o coraçãozinho débil a saltar-lhes do peito fremente,
Num silêncio de espanto
Rasgado pelo grito da sereia estridente;
Enquanto o grande pássaro de fogo e alumínio
Cobrir o mundo com a sombra escaldante das suas asas
Amassando na mesma lama de extermínio
Os ossos dos homens e as traves das suas casas;
Enquanto tudo isso acontecer, e o mais que se não diz por ser verdade,
Enquanto for preciso lutar até ao desespero da agonia,
O poeta escreverá com alcatrão nos muros da cidade:


ABAIXO O MISTÉRIO DA POESIA

(António Gedeão)

Poema de Gedeão cantado pelo Ivo Machado: TEMPO DE POESIA

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Peço desculpa pela falta de jeito na colocação do vídeo, nele não aparecem as imagens.




E para quem quer matar saudades, pode revê-los na seguinte data:

23.SÁB
Recital
MIRAGEM DE SAUDADES - IVO MACHADO - FUNDAÇÃO CUPERTINO DE MIRANDA - AUDITÓRIO 21h30

Miragem de Saudades é um projecto musical, em torno da obra poética de Agostinho da Silva. A iniciativa será desenvolvida em formato de aula (réplica da última aula de carreira). Pretende, assim, Ivo Machado homenagear os seus alunos, na hora da retirada da docência. Será acompanhado ao piano por Rui Mesquita e, conta com a colaboração do declamador António Sousa.

26.TER
CICLOS DE MÚSICA E POESIA

Recital Música e Poesia
FUNDAÇÃO CUPERTINO DE MIRANDA - AUDITÓRIO
Entrada livre
Informações
Telefone: 252301650 E-mail: geral@fcm.org.pt

http://www.cm-vnfamalicao.pt/cultura/agendacultural.php

domingo, 10 de maio de 2009

Às rosas deste Povo

Desafio todos os «Poetas», das Águas, das Utopias, das Chamas, dos trepanços-beijoqueiros, dos brancos-Anonimatos, dos Portais Mágicos,... a lançarem sementes das suas palavras nos campos da alegria, fecundando as vozes que desejam ser ouvidas nas colheitas de uma vida... e, não faltem Lianores correndo para fontes de verdes campos, ou amigos que tragam uma rosa ao peito neste comboio descendente...
A bucha é dura, mais dura é a razão que a sustém.
Só nesta rusga não há lugar... pr'ós filhos da mãe.
Venham mais cinco!... (relembrando o compadre Zeca Afonso)
Que é já tempo d' embalar a trouxa e zarpar...
Irei postando os vossos poemas.
Obrigada!



Fotos dos campos tiradas há dias aqui em Seide, Famalicão.
Fotos das danças: Grupo Etnográfico "Rusga de Joane" e do Grupo Musical "Pedra D'Água", na actuação no Teatro Circo.



1ª participante: Nela

Olho o céu sem fim
à espera de ver a estrela que tu vês

Vou ao encontro dos viajantes que chegam de todo o lado
à espera que alguém se tenha inebriado com o teu perfume

Enfrento os ventos
à espera de ouvir uma canção que fale de ti

Olho as mulheres que encontro sem outra intenção
que descobrir um toque da tua beleza nos seus rostos!

“Guardado no Coração” Álvaro Magalhães

2º participante: Eduardo Aleixo

Moreninha alentejana
Quem te fez morena assim
Foi o sol da Primavera
Qua caía sobre mim
-
Que caía sobre mim
Que andava a ceifar o trigo
Moreninha alentejana
Porque não casas comigo
-
Porque não casas comigo
Porque não casas com ela
Quem te fez morena assim
Foi o sol da Primavera.

Cancioneiro Alentejano


terça-feira, 3 de março de 2009

Por uma Educação Romântica... Rubem Alves


A maior acusação ao romantismo
não se fez ainda: é a de que ele
representa a verdade interior
da natureza humana.
Bernardo Soares, O Livro do Desassossego

(Pequenos excertos do livro: Por uma Educação Romântica)

O brinquedo e a arte são as únicas actividades permitidas no Paraíso.
O poeta, o artista, a criança: esses são os seres paradisíacos.
No Paraíso não existe trabalho. Existe apenas brinquedo e arte.

As crianças já nascem sabendo. Quando elas, através da educação, são transformadas em seres úteis, o Paraíso lhes é roubado: são obrigadas a esquecer do brinquedo e a viver no mundo do trabalho.

Recuperar a sapientia é lembrar-se da filosofia sem palavras que morava no corpo da criança.

Nietzsche escrevia a fim de preparar o caminho para a volta da criança. O seu homem-transbordante é uma criança. Num homem real ele dizia , se esconde uma criança… que deseja brincar… A maturidade de um homem é encontrar de novo a seriedade que se tinha quando criança, brincando. (Além do bem e do mal).




"Gosto de me assentar aqui onde as crianças brincam, ao lado da parede em ruínas, entre os espinhos e as papoulas vermelhas. Para as crianças eu sou ainda um sábio, e também para os espinhos e as papoulas vermelhas." (Nietzche)


Nos seis primeiros dias da Criação Deus criou a Feira das Utilidades. Usou o trabalho como actividade penúltima. No sábado, Deus criou a Feira das Fruições, o brinquedo, como actividade última. Quando a obra da criação terminou, o Deus trabalhador se transformou no Deus brincante, criança.
A ideia de separar as coisas em duas classes, as que podem ser usadas e as que devem ser fruidas, é de Santo Agostinho. Chamar cada uma dessas ordens de feira é ideia minha. Essa separação ajudou-me a pôr ordem nos meus objectos.

Na Feira das Utilidades se ensinam saberes. Saber é poder.
Na Feira das Fruições se educam os sabores. A educação dos sabores não tem por objectivo conhecer e dominar o mundo.

É isso que eu entendo por uma educação romântica: aquela que faz da Feira das Utilidades uma ferramenta da Feira da Fruição, que subordina

Os saberes aos sabores,
Os poderes aos prazeres e
Os adultos às crianças…

Por uma Educação Romântica – texto inédito de Rubem Alves
- Brevíssimos Exercícios de Imortalidade