Fotografia do "Rio Cávado, no Gerês"

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Por Terras Camilianas (2009)

Quando se fala da "Língua Materna" fala-se de Camilo Castelo Branco...



OS AMIGOS

Amigos cento e dez, e talvez mais,
Eu já contei. Vaidades que eu sentia!
Supus que sobre a terra não havia
Mais ditoso mortal entre os mortais.

Amigos cento e dez, tão serviçais,
Tão zelosos das leis da cortesia,
Que eu, já farto de os ver, me escapulia
Às suas curvaturas vertebrais.

Um dia adoeci profundamente.
Ceguei. Dos cento e dez, houve um somente
Que não desfez os laços quase rotos.

– Que vamos nós (diziam) lá fazer?
Se ele está cego, não nos pode ver…
Que cento e nove impávidos marotos!


Um poema de Camilo Castelo Branco




A casa chamada de Camilo foi construída por Pinheiro Alves, em 1830, quando regressou do Brasil, na posse de avultada fortuna.
A 17 de Março de 1915, um violento incêndio devorou completa e inexplicavelmente a moradia.

Formou-se uma Comissão de Homenagem ao Escritor que adquiriu em 17 de Abril de 1917, a Ana Rosa Correia e filhos, as ruínas e o quintal contíguo, bem como a livraria restante de Camilo, alguns autógrafos, correspondência de amigos e admiradores, mobiliário e objectos diversos.

Na reconstrução, a casa saíria muito adulterada, pois a instalação da escola primária da freguesia de Ceide no rés-do-chão e os requisitos técnicos a que para esse fim teve de obedecer, como a cubagem da sala de aula, alteraram-lhe certas características estruturais, em especial o pé direito e as janelas.

Concluídas as obras, a Comissão de Homenagem entregou á edilidade famalicense a casa reedificada, ficando esta responsável pelos encargos futuros das instituições ali fundadas: a Escola Primária e o Museu Camiliano. http://www.geira.pt/CMCamilo/


No dia 10 de Junho de 2008 houve a 2ª Caminhada Camiliana que foi entre a Estação da CP de Vila Nova de Famalicão e a Casa de Camilo (10 km). Um percurso que Camilo fazia sempre que viajava.
Fica aqui uma amostra figurada, Camilo em boa companhia com os Senhores da Época, com quem se relacionava, como Bernardino Machado.
Não faltou o burro-doutor (piada de Camilo), cantares ao desafio e o assalto do Zé do Telhado (amigo de Camilo).
10 de Junho de 2008 - Caminhada Camiliana


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Um olhar sobre Famalicão

Rebobinando... 

 "Encontro "mário cesariny" - na Fundação Cupertino de Miranda (2008)

voz numa pedra

Não adoro o passado
não sou três vezes mestre
não combinei nada com as furnas
não é para isso que eu cá ando
decerto vi Osíris porém chamava-se ele nessa altura Luiz
decerto fui com Isis mas disse-lhe eu que me chamava João
nenhuma nenhuma palavra está completa
nem mesmo em alemão que as tem tão grandes
assim também eu nunca te direi o que sei
a não ser pelo arco em flecha negro e azul do vento

Não digo como o outro: sei que não sei nada
sei muito bem que soube sempre umas coisas
que isso pesa
que lanço os turbilhões e vejo o arco íris
acreditando ser ele o agente supremo
do coração do mundo
vaso de liberdade expurgada do menstruo
rosa viva diante dos nossos olhos
Ainda longe longe essa cidade futura
onde «a poesia não mais ritmará a acção
porque caminhará adiante dela»
Os pregadores de morte vão acabar?
Os segadores do amor vão acabar?
A tortura dos olhos vai acabar?
Passa-me então aquele canivete
porque há imenso que começar a podar
passa não me olhas como se olha um bruxo
detentor do milagre da verdade
a machadada e o propósito de não sacrificar-se não construirão ao sol coisa nenhuma
nada está escrito afinal
Mário Cesariny

Uma breve caminhada pela cidade de Vila Nova de Famalicão, o local que deu seguimento aos meus passos...


10 de Fevereiro de 2008

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Trás-os- Montes - marcadamente agreste

Trás-os-Montes

Sentida terra
Marcadamente agreste
De límpidos silêncios
Minha terra
De tons castanhos
E gestos quentes
Onde se festeja sem frio
O espírito d'Inverno
Com o calor do amor
E a cor da vida
Onde o calor baila
Com a calma da alma
Da terra sentida

Augusto Guedes

http://www.bragancanet.pt/balbinamendes/poesia.htm#Tons_Poesia