Fotografia do "Rio Cávado, no Gerês"

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Histórico painel de azulejos - Póvoa de Varzim

O vasto areal da praia de banhos da Póvoa de Varzim é delimitado a sul por um paredão (assim conhecido) que o divide da zona pesqueira, onde se situa o porto de abrigo e a marina.

Um valioso painel de azulejos, da autoria do artista - pintor poveiro Fernando Gonçalves (Nando), que revestira um murete que servia de resguardo à entrada para a passagem subterrânea do Passeio Alegre então existente junto ao Diana-Bar, havia sido dali retirado por ter sido fechada essa passagem, e jazia não sei onde, ingloriamente ignorado do público.

Uma obra de inegável valor artístico, que é ao mesmo tempo um repositório histórico da Póvoa, com os seus quadros mostrando aspectos da antiga vila, cenas da vida dos pescadores com as suas alegrias e as suas tragédias, retratos de pessoas que pelo seu valor fazem parte da nossa memória colectiva, uma obra inestimável como essa, corria talvez o risco de se perder na poeira do tempo;

Por outro lado, uma ampla parede, feia na sua nudez, situada num lugar nobre, com grande afluência de público, carecia, urgentemente, de ser “disfarçada” em termos de se atenuar o aspecto de “mancha” que a bisarma constituía no harmonioso conjunto urbano do local.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

O Azulejo em Portugal:

"Foi durante a ocupação árabe da Península que os povos ibéricos tomaram contacto com a cerâmica mural. O termo "azulejo" deriva, aliás, de uma palavra árabe (al zulej) que significa pedra lisa e polida."

"No final do século XVI surge uma transformação técnica que leva ao aparecimento do azulejo tal como o conhecemos hoje: uma placa de barro quadrangular com uma face vidrada lisa ou decorada com desenhos coloridos."

Fonte: O Azulejo em Portugal
http://www.oazulejo.net/oazulejo_frame.html



Pelas terras portuguesas abundam os azulejos, aqui fica uma pequena amostra:


 
A Arte do Azulejo em Portugal

AZULEJO é um elemento identificativo da Cultura portuguesa, revelando algumas das suas matrizes profundas:

1. A capacidade de diálogo com outros Povos, evidente pelo gosto por Exotismos em que aos temas de uma cultura europeia se misturam, por exemplo, os das culturas árabes e indianas.

2. Um expedito sentido prático, revelado no uso de um material convencionalmente pobre, o azulejo, como meio de qualificação estética dos espaços interiores dos edifícios e dos espaços urbanos.

3. Uma específica sensibilidade que em Portugal se orienta mais para valores de Sensualidade do que de Conceito, manifesta logo pela preferência de um material colorido, reflector de luz, pela expressão imediata da pintura, e a escolha das próprias imagens mais centrada na descrição do real.

http://cvc.instituto-camoes.pt/azulejos/azulport.html

 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A nossa gente: Rosa Ramalho

Rosa Ramalho aos 86 anos (1973). Fotografia de Carlos Coutinho.

Rosa Ramalho OSE (1888-1977) é o nome artístico de Rosa Barbosa Lopes, barrista e figura emblemática da olaria tradicional portuguesa.

Rosa Ramalho nasceu a 14 de Agosto de 1888 na freguesia de São Martinho de Galegos (concelho de Barcelos). Filha de um sapateiro e de uma tecedeira, casou-se aos 18 anos com um moleiro e teve sete filhos. Aprendeu a trabalhar o barro desde muito nova, mas interrompeu a actividade durante cerca de 50 anos para cuidar da família. Só após a morte do marido, e já com 68 anos de idade, retomou o trabalho com o barro e começou a criar as figuras que a tornaram famosa. As suas peças simultaneamente dramáticas e fantasistas, denotadoras de uma imaginação prodigiosa, distinguiam-na de outros barristas e oleiros e proporcionaram-lhe uma fama que ultrapassou fronteiras.
Foi a António Quadros que se deveu a descoberta de Rosa Ramalho pela crítica artística e a sua divulgação nos meios "cultos". Foi a primeira barrista a ser conhecida individualmente pelo próprio nome e teve o reconhecimento, entre outros, da Presidência da República, que em 9 de Junho de 1980 lhe atribuiu o grau de Dama da Ordem de Sant'Iago da Espada. Em 1968 tinha-lhe sido também entregue a medalha "As Artes ao Serviço da Nação".
Sobre a artista há um livro de Mário Cláudio (Rosa, de 1988, integrado na Trilogia da mão) e uma curta-metragem documental de Nuno Paulo Bouça (À volta de Rosa Ramalho, de 1996). Actualmente dá nome a uma rua da cidade de Barcelos e a uma escola EB 2,3 da freguesia de Barcelinhos. Há também a possibilidade de que se venha a transformar a sua antiga oficina, em São Martinho de Galegos, num museu de olaria com o seu nome.

O seu trabalho é continuado actualmente pela neta Júlia Ramalho.







(As fotos de cima são destas duas lojas, em Barcelos, na zona histórica da cidade)
Fotos de Lucília Ramos



Júlia Ramalho

Júlia Ramalho é uma barrista portuguesa nascida em São Martinho de Galegos (concelho de Barcelos) a 3 de Maio de 1946. Neta de Rosa Ramalho, de quem foi discípula desde muito nova, herdou da avó o gosto pela olaria e o talento criativo. Medusas, bacos, diabos trovadores, figuras fantásticas, o Padre Inácio e Os sete pecados mortais são algumas das peças mais famosas da artista.


Segundo Júlia Ramalho, neta Rosa Ramalho, “a minha avó dizia que via demónios e contava-me histórias de feiticeiras e eu acreditava em tudo”.

É assim que se recorda desta personagem que marcou a cena artística portuguesa entre o final da década de 50 até ao seu falecimento, em 1977.
Para Júlia Ramalho, os visitantes faziam parte do dia-dia e mesmo quando o Estado Novo tentou aglutinar a obra da sua avó como instrumento de propaganda, manteve a sua autonomia. Eram muitas as personalidades que faziam a vilegiatura até Galegos: ”O Dr. Salazar só vimos uma vez no Museu de Arte Popular, mas o Américo Thomaz passou uma vez por aqui, o povo reuniu-se para ver a comitiva, a minha avó estava a assistir, ele viu-a e mandou parar o carro só para cumprimentá-la. A minha avó tratava-o tu cá tu lá.”

Os artistas chegavam sempre nos dias de folga e ficavam o dia todo, como Raul Solnado, Eunice Muñoz, José Viana. A Amália aparecia regularmente: “Uma vez veio fazer um filme na casa da minha avó, chegou de madrugada com várias pessoas. A minha avó ia cedo para a cama, mas lá abriu a porta e foi arranjar pão em Barcelos para matarem a fome”, recorda Júlia Ramalho.

As idas a Lisboa são frequentes, para participar nas feiras de artesanato onde recebe estímulos e carinho de um público diversificado. Mas a ceramista tem a idade avançada. Em Dezembro de 1977 uma hérnia que tinha piorou. e acabou por falecer.

“Viveu muito pobre e trabalhou até morrer”, resume Júlia Ramalho.



Museu de Olaria - Barcelos

 (foto de Lucília Ramos)

Centro de Documentação de Olaria - Interrupção da actividade
Informamos os nossos utilizadores que, em virtude das obras de remodelação e valorização do Museu de Olaria, o Centro de Documentação será encerrado de Agosto de 2009 a Fevereiro de 2010.