Fotografia do "Rio Cávado, no Gerês"

quarta-feira, 24 de março de 2010

Morre lentamente quem não viaja - sobrevoando Portugal

"Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere O "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da Chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!»

Pablo Neruda

(Agradeço o envio deste belo poema à minha amiga Helena Aguiar)



8 comentários:

Nela disse...

Morre-se lentamente quando o esforço para a mudança é grande e os resultados são praticamente nulos, invisíveis, ou tão lentos que quase não se dá por ela.

Que resignação Jesus, até ... ao dia do voo da libertação!

Belo poema do Neruda, bem apropriado ao tempo que corre em mim!

Beijinho Nela

Sãozinha disse...

O Sol vermelho, o rio a serpentear, esta música que eu não sabia colocar e tu puseste lá na minha página da CE há tanto tempo... Jesus, parece há tanto tempo!

E de lá pra cá, vivendo ou morrendo lentamente? Que diria a esfinge? Como se fosse preciso perguntar à esfinge que nunca responde a uma pessoa, a grande chata!...:)

Beijinho, minha Lucynha
S

Astrid Annabelle disse...

Olá Lucy!
Muito lindo este poema de Pablo Neruda...já o conhecia mas foi bom reler!
Quanto às imagens o slideshow deixou o seguinte recado:
We are sorry but the slideshow is empty!
Que pena...
Beijão
Astrid Annabelle

Agulheta disse...

Amiga Lucília:Conheço este belo poema de Pablo Neruda,e todas as palavras estão certas e partilho com elas todas.As fotos se pode ver o Porto e arredores,mesmo assim estão boas.
Beijinho Lisa

Eduardo Aleixo disse...

Que maravilha de poema de Neruda: concordo. Embora seja difícil. Mas amar a vida e vê-la assim como um milagre de dádiva a usufruir sem medos...é o que vale apena.
Um beijo.

utopia das palavras disse...

Neruda escreveu tudo o que havia para escrever do amor, do sentimento, do sentido da vida, da revolta, da ansia da liberdade!

A tua exigência na qualidade das fotos, para nós nao é importante...são bonitas!

Fico por aqui mais um bocadinho...posso?

Beijinho

S disse...

Lu, venho eu mais este amigo coelho desejar-te uma Páscoa Feliz.

Beijinho, amiga querida.

Lucília Ramos disse...

A todos os meus amigos o desejo de uma Páscoa muito feliz e bem renovadora.

Um abraço a todos.

Lucília Ramos

P.S. - Tenho andado muito ocupada e quase nem tenho tempo de vir ao computador. As minhas desculpas pelo atraso nas visitas.