Fotografia do "Rio Cávado, no Gerês"

domingo, 31 de outubro de 2010

Perante Deus e a morte...

"Somente onde há sepulturas há também ressurreições"


(Nietzsche)


"Quero fazer os poemas das coisas materiais,


pois imagino que esses hão de ser

os poemas mais espirituais.

E farei os poemas do meu corpo

E do que há de mortal.

Pois acredito que eles me trarão

Os poemas da alma e da imortalidade."


E à raça humana eu digo:

-Não seja curiosa a respeito de Deus,

pois eu sou curioso sobre todas as coisas

e não sou curioso a respeito de Deus.

Não há palavra capaz de dizer

Quanto eu me sinto em paz

Perante Deus e a morte.

Escuto e vejo Deus em todos os objetos,

Embora de Deus mesmo eu não entenda

Nem um pouquinho...


Ora, quem acha que um milagre alguma coisa demais?

Por mim, de nada sei que não sejam milagres...


Cada momento de luz ou de treva

É para mim um milagre,

Milagre cada polegada cúbica de espaço,

Cada metro quadrado de superfície

Da terra está cheio de milagres

E cada pedaço do seu interior

Está apinhado de milagres.


O mar é para mim um milagre sem fim:

Os peixes nadando, as pedras,

O movimento das ondas,

Os navios que vão com homens dentro


- existirão milagres mais estranhos?"

(Walt Whitmann)

7 comentários:

Multiolhares disse...

a vida é um milagre assim viver também o é, cada um de nós entende a vida e a morte á sua maneira, para mim a vida é um aprendizado e a morte a libertação, vimos para aprender a adoçar o coração e a perdoar, quando partimos deveríamos levar a bagagem toda a leveza que aprendemos
beijinhos

Lucília Ramos disse...

Olá Luna,

Acho que a Vida e a Morte são libertadoras, cada uma com a sua função.

Às vezes nem sei se estamos vivos se mortos, depende se ressuscitamos ou não em cada dia.

Bem hajas por teres aqui passado.
Um grande abraço de reconhecimento.

Safira disse...

Tanta coisa que eu não conheço!... Como este poema, que não conhecia.

Tudo um milagre... Pois é, e o maior deles é conseguir reconhecê-lo.

Um magnífico poema, para reler, amiga.

(mas conheço as fotos, que fixaram para sempre estes milagre das coisas materiais:)

Eduardo Aleixo disse...

Lindo poema.
Vivamos o milagre. Simplesmente.
A vida e a morte : são a nossa vida.
Vou reler o poema e deixo um beijo.

Lucy disse...

Pois é, Safira, as tuas 'areias' também fazem parte dos pequenos/grandes milagres da vida.

E tu, também, amiga!

Guarda-me uma conchinha quando por aqui a achares...

Lucy disse...

Vivamos este milagre da vida e da morte, Edu.

Que este dia de Todos os Santos nos faça ver melhor os 'milagres'.

Um beijo,

Anónimo disse...

o milagre está em cada um de nós, linda poesia, bj