Fotografia do "Rio Cávado, no Gerês"

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Procissão de Santo António - VNF




Uma tradição que se vai mantendo, a Procissão:

Tocam os sinos da torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.

Mesmo na frente, marchando a compasso,
De fardas novas, vem o solidó.
Quando o regente lhe acena com o braço,
Logo o trombone faz popó, popó.

Olha os bombeiros, tão bem alinhados!
Que se houver fogo vai tudo num fole.
Trazem ao ombro brilhantes machados,
E os capacetes rebrilham ao sol.

Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.

Olha os irmãos da nossa confraria!
Muito solenes nas opas vermelhas!
Ninguém supôs que nesta aldeia havia
Tantos bigodes e tais sobrancelhas!

Ai, que bonitos que vão os anjinhos!
Com que cuidado os vestiram em casa!
Um deles leva a coroa de espinhos.
E o mais pequeno perdeu uma asa!

Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.

Pelas janelas, as mães e as filhas,
As colchas ricas, formando troféu.
E os lindos rostos, por trás das mantilhas,
Parecem anjos que vieram do Céu!

Com o calor, o Prior aflito.
E o povo ajoelha ao passar o andor.
Não há na aldeia nada mais bonito
Que estes passeios de Nosso Senhor!

Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Já passou a procissão.

António Lopes Ribeiro

3 comentários:

Eduardo Aleixo disse...

A ti ficaram-te dores nas costas! A mim ficaram-me as dores na alma! Dores que só mais tarde se começaram a sentir! Marcas que levaram tempo a apagar. Mas, olha, sempre gostei de ver os anjinhos! Mas sabes, Lucy, os meus olhos estavam sempre desviados para a " Verónica", rapariguita maais espigadota, talvez já com 12, 13 anos, como me impressionava, não só o rosto de Jesus pintado com seu sangue no pano de linho, mas os olhos puros, quentes, do amor que desabrochava e não tinha pecado!
O poema, lembro-o na voz de João Vilaret.
Sobre a procissão, lembro as da minha infância, a despeito das dores no lugar das asas...Mas eram procissões a sério. A última que vi, no domingo de Ramos, em que dois andores se juntaram, o da Nossa Senhora, de negro vestida, que se cruzou com o de Jesus, no largo principal da vila...E era suposto, olhando para os dois andores e sabendo as dores por que passariam Jesus e Maria, era suposto que o padre, o abade, como na tua terra se chama, ou se chamava, iria discursar sobre a dor e o amor infinito de Maria, mãe, pelo seu filho..Mas não, aqui a dor foi outra: o padre na sua arenga falou sobre o desemprego, o aborto, as poucas vergonhas da juventude.Uma desgraça. Parecia um líder político!
Fui-me embora.
Não tem emenda.
Por isso prefiro recordar as dores das asas no teu corpinho e o calor dos meus olhos para o corpinho jovem da Verónica, tudo inocente...
Um beijo

Agulheta disse...

Amiga Lucy!Depois de uns dias em descanço e paz,vou voltar novamente,aproveitar o tempo enquanto está bom.As procissões qualquer dia acabando os mais velhos tende a acabar,porque a joventude de hoje tem outros objectivos de vida e pensamentos,e como estou a escrever e ler o que o nosso amigo comenta me ri.E não é que ele tem razão sobre alguns padres!
Beijinho de amizade Lisa

Astrid Annabelle disse...

Lucy! Boa noite!
Que bonita festa. Lindas fotos!
Eu sempre me repito pois não sei como fazer diferente diante das belezas que postas aqui!
Um beijo gostoso amiga!
Astrid Annabelle