Fotografia do "Rio Cávado, no Gerês"

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

2008 - Tenho o costume de andar pelas estradas...

O meu olhar é nitido como um girassol
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando pra direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança, se ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...

Alberto Caeiro

6 comentários:

Anónimo disse...

Bom dia, Lucynha.
Um abraço grato pelas belas fotos.

"I am proudly one of the noble human race..."- Li algures e gostei muito.
S

Eduardo Aleixo disse...

Que divina a Natureza! Que belas as paisagens! Que talento no olhar de quem as viu e fotografou! Eu percebo o poeta A. Caeiro quando diz que ao vê-las, nunca as tinha visto antes! O antes não existe! O que vejo em cada momento é no Agora do sem tempo da eternidade...A criança que há em nós sabe. Só quem olha com os olhos da criança...Meu Deus! Como Fernando Pessoa sabia tanta coisa!
E tu também, mimna doce amiga.
Beijo. E boas melhoras.
Eduardo

Lucy disse...

Olá Eduardo,

Apesar deste post já ter sido exibido em Novembro, quis matar saudades das árvores, dos rios, dos caminhos que tantas vezes percorri neste Gerês.
É como diz no poema, renasço a cada instante que olho para certos lugares, como se os visse pela primeira vez.
Não há cansaço neste meu sentir, por isso, eu ando pelas estradas a olhar...

Obrigada por apareceres.

Já tiveste notícias da tua 'Conchinha'?

Um beijo,
(já me sinto bem melhor, obrigada)

Lucy

Eduardo Aleixo disse...

Sim. Chegou cansada. Assumiu a responsabilidade de levar com ela uma criança de S. Tomé - pedido que lhe fizeram. Não dormiu nada. Mas amanhã já estará bem. E tu, descansa.
Beijo.
EA

Eduardo Aleixo disse...

2008-2010.
-O que é o tempo?
-Para mim, não sei.
És um regaço no tempo
Do meu tempo que não sei
És no meu sem tempo
O tempo que não terei.
Sou as águas,
Serás a rocha?
Duas mãos do mesmo corpo
Que na longa paisagem distante
Se aproximam caminhantes
Confidentes
Perto
Distantes..
Regressos
Instantes
Águas vivas
Estranhamente
Ausentemente
Amantes....

utopia das palavras disse...

Lucy

Aqui sinto o meu País e descubro lugares que o meu olhar ainda não alcançou e aqui me aninho na poesia que amo!

Beijos