Fotografia do "Rio Cávado, no Gerês"

domingo, 19 de abril de 2009

Ainda por terras durienses...

Viajar no Douro é, na verdadeira acepção da palavra, realizar um cruzeiro de barco. É sem duvida a mais relaxante, confortável e romântica das formas de conhecer o vale do Douro. Inúmeras embarcações oferecem esse serviço, das mais tradicionais - pequenos mas confortáveis barcos com a forma dos tradicionais barcos rabelos, equipados com serviço de snack a bordo -, às mais luxuosas das embarcações que incluem dormidas e refeições a bordo, tais hotéis flutuantes. Em viagens mais ou menos curtas, dependendo do percurso seleccionado, o visitante conhece o rio Douro de dentro para fora.

O ultrapassar das eclusas é um dos momentos marcantes das viagens no rio Douro; aí as embarcações permanecem durante algum tempo inactivas (em média de 20 a 30 minutos). Uma estranha sensação de sufocar assola a maioria dos visitantes ante a imensidão das paredes de betão, enquanto lentamente se vence a diferença do desnível das águas a montante e a jusante das barragens. Se a viagem fluvial fôr da cidade do Porto até Pinhão (cruzeiro mais comum), prepare-se para experimentar 3 eclusas: a de Crestuma / Lever com 14M de desnível, a do Carrapatelo com os seus 35M de desnível e a de Bagaúste com 27M.

Recomendamos vivamente que experimente uma viagem de barco que inclua o troço entre o Pinhão e Barca d' Alva (ainda que menos regulares); neste troço poderá vislumbrar o Douro no seu estado mais selvagem, e as imensas fráguas xistosas que comprimem as águas, aqui mais tumultuosas.

Vai então entender a razão do "poema geológico" a que se referiu o grande poeta duriense Miguel Torga.

http://www.douronet.pt/default.asp?id=68&mnu=68




O peso da tradição


Os barcos rabelos que outrora se multiplicavam rio abaixo, carregando o vinho generoso que tantas vezes empresta às caras generosos sorrisos, são agora exemplares raros, na sua maioria ao serviço do turismo. No entanto, o seu encanto continua presente, quando aqui e ali os avistamos a navegar. De carro, de comboio, ou de barco, cerca de 25 quilómetros separam o Pinhão do Peso da Régua (ou simplesmente Régua, como é conhecida). Qualquer que seja o meio de transporte e para onde quer que olhemos repetem-se e multiplicam-se as imagens belas, sempre com as lentas águas do Douro a marcar o ritmo do passeio e do nosso bem-estar.

À beira da estrada sucedem-se as tabuletas com as indicações “vende-se vinho”, “vende-se azeite biológico” ou “vende-se castanhas”, num convite quase irresistível ao consumo, tal é a apetência lusitana pelos sabores.

http://www.rotas.xl.pt/1206/300.shtml




10 comentários:

Maria Clarinda disse...

Mais um registo belíssimo. Adorei as fotos e mais uma vez obrigada por me dares a conhecer, estas maravilhas.
Jhs

Eduardo Aleixo disse...

A abrir o belo poema de Ausenda, um poema em que com uma mão vai jogando fora as mágoas, e com a outra sulca as águas da esperança, quilha de sorriso em direcção ao sempre amor.
E depois, não largo a quilha, mas agora no meu barco, e revisito o meu querido Douro. Sim, conheço-o, já subi as suas águas, já me deslumbrei com a visão das suas margens, já deslisei de manso em silêncio para não assustarmos as cegonhas negras, já me deslumbrei com a visão das vinhas nos socalcos expostos ao braseiro do sol, já mnamorei os rios afluentes do Douro, já me regalei na Régua, num hotel em frente das águas, já andei naquele comboio de arte mágica, já subi os desníveis das águas admirando o belo trabalho humano que fez as comportas, já o disse e digo: o Douro é das coisas mais lindas do Mundo e eu já vi, graças a Deus, muito mundo!
Impossível a quilha do barco não ranger no fim da viagem e não dizer:
- Mas que linda artista fotografou esta paisagem! Que ricas descrições históricas esta menina morgada prodigaliza! Que lindas fotos tão lindas com o é a realidade!
E é verdade: é um regalo.
Beijos.
Eduardo

utopia das palavras disse...

Sinto-me bem a trilhar estes caminhos que também são meus um bocadinho.Obrigada!
Como sempre as maravilhas de Portugal tão perto das minhas mãos. São uma delícia estas minhas viagens por aqui! Tudo é lindo e apaixonante!
E estas disertações do meu amigo Eduardo...comovem-me!

Obrigada!

Um beijo

poetaeusou . . . disse...

*
E pelo rio vai dourado o nosso brio
Nos rabelos duma vida
Nos rabelos duma vida
E para o mundo vão garrafas cá do fundo
De uma gente envaidecida
De uma gente envaidecida
,
in-carlos paião,
,
obrigado pelo versejar,
da utopia das palavras,
,
conchinhas serenas, deixo,
,
*

Anónimo disse...

Pousei aqui, e que refrescante foi pousar aqui!...pela música,pelo magnífico poema, as imagens, pelo ar puro...
Beijinho, Lucynha
Branca

Lucy disse...

Clarinda,

Já sabes que podes viajar sempre comigo..., assim como eu faço no teu blogue com as tuas fotos e textos.

Beijinho,
Lucy

Lucy disse...

Edurado,

Já sei que o cavalheiro é muito viajado, mas diz lá se não matas saudades destes 'recantos de encantos' nortenhos? Eu é que não sei quando chegará a vez de eu ir mais para sul... estou à espera de um(a) sulista que faça o mesmo que eu, só para eu regalar a vista.

Anda lá, deixa a cana de pesca e dedica-te a pescar paisagens.
Beijinho,
Lu

Lucy disse...

Ausenda,

Já somos duas a ficar comovidas com as dissertações do nosso poeta Aleixo(o Eduardo). É evidente que o teu sentido poema junta o verde a outro verde, o dos caminhos que cada um percorre, por isso são meus e teus.

Gosto de te sentir por aqui.
Lucy

Lucy disse...

Ó Poeta eu Sou, mas eu até cantarolei com os versos do Paião -mas que gente envaidecida!!!

"Primeiro a serra semeada terra a terra
Nas vertentes da promessa
Nas vertentes da promessa
Depois o verde que se ganha ou que se perde
Quando a chuva cai depressa
Quando a chuva cai depressa" -

Pois foi, neste passeio também não faltou uma chuvinha.

Beijinhos e deste-me uma ideia brilhante, vais ver no próximo post.

Lucy

Lucy disse...

Branquinha do meu coração,

Tu sabes que eu gosto do teu poiso, da tua suave fragãncia quase imperceptível...

Nunca se esquece uma nuvem branca que paira sob o nosso céu!

Beijoca na brancura do nosso caminho,
Lucynha