Fotografia do "Rio Cávado, no Gerês"

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Terras de uma gente envaidecida...

E para terminar a viagem por terras do Douro, aqui ficam as últimas imagens de uma Páscoa bem fogueteira, bem à moda portuguesa, onde o tradicional folar transmontano regado com um cálice do vinho de Favaios, mais o pão-de-ló com o vinho do Porto, nos trouxe o paladar de um povo envaidecido e generoso... como o vinho.


Páscoa 2009 - Uma passagem por S. Cipriano - Resende, já na outra margem do rio Douro, no Distrito de Viseu:



O amigo "
poetaeusou . . . " lembrou-me esta canção de Carlos Paião:



Vinho Do Porto

Primeiro a serra semeada terra a terra
Nas vertentes da promessa
Nas vertentes da promessa
Depois o verde que se ganha ou que se perde
Quando a chuva cai depressa
Quando a chuva cai depressa

E nasce o fruto quantas vezes diminuto
Como as uvas da alegria
Como as uvas da alegria
E na vindima vão as cestas até cima
Com o pão de cada dia
Com o pão de cada dia

Suor do rosto pra pisar e ver o mosto
Nos lagares do bom caminho
Nos lagares do bom caminho
Assim cuidado faz-se o sonho e fermentado
Generoso como o vinho
Generoso como o vinho

E pelo rio vai dourado o nosso brio
Nos rabelos duma vida
Nos rabelos duma vida
E para o mundo vão garrafas cá do fundo
De uma gente envaidecida
De uma gente envaidecida

Vinho do Porto
Vinho de Portugal
E vai à nossa
À nossa beira mar
À beira Porto
À vinho Porto mar
Há-de haver Porto
Para o nosso mar

Vinho do Porto
Vinho de Portugal
E vai à nossa
À nossa beira mar
À beira Porto
À vinho Porto mar
Há-de haver Porto
Para o desconforto
Para o que anda torto
Neste navegar

Por isso há festa não há gente como esta
Quando a vida nos empresta uns foguetes de ilusão
Vem a fanfarra e os míudos, a algazarra
Vai-se o povo que se agarra pra passar a procissão
E são atletas, corredores de bicicletas
E palavras indiscretas na boca de algum rapaz
E as barracas mais os cortes nas casacas
Os conjuntos, as ressacas e outro brinde que se faz

Vinho do Porto vou servi-lo neste cálice
Alicerce da amizade em Portugal
É o conforto de um amor tomado aos tragos
Que trazemos por vontade em Portugal

Se nós quisermos entornar a pequenez
Se nós soubermos ser amigos desta vez
Não há champanhe que nos ganhe
Nem ninguém que nos apanhe
Porque o vinho é português

(Carlos Paião)


Aqui o vídeo da canção:



(Relembrando a voz de dois cantores portugueses que faleceram ainda jovens: Carlos Paião e Cândida Branca Flor, que levaram esta canção ao Festival da Canção de 1983.)

9 comentários:

Eduardo Aleixo disse...

Sempre gostei da voz de Carlos Paião, e foi uma perda a sua morte cedo!
Quanto às paisagens do Douro, já o tenho dito, é do melhor do mundo!
De 19 a 21 de Junho, se Deus quiser, irei a Vila Real e a um cruzeiro à Régua, até ao Pinhão. Não me canso de regalar os meus olhos por essas paisagens.
Aliás, eu sou de boa boca, acho todo o mundo belo. Até os desertos. Como escreeu Rilke, em As Cartas a Um Joem Poeta, isto da beleza dos lugares tem a ver, não com os lugares, mas com a sensibilidade.
Quanto às paisagens do Sul, vou fazer-te a vontade.
E se quiseres vir cá abaixo, podes contar sempre com a minha casa. Que serás sempre bem recebida, por toda a família, incluindo o Gwyn, cão anarco-sindicalista e pelos gatos, Lai-si e Novelo.
Tem uma semana com tudo de bom.
EA

Lucy disse...

Eduardo,

Deixas-me comovida com a tua generosidade, mesmo sem ser do vinho do Porto. Obrigada pelo convite para as terras de sul com hospedagem na tua casa. É evidente que iria dar-me muito bem com toda essa bicharada!!! (risinhos...)

Agradeço e retribuo o convite para toda a família. Também a recepção seria de 'lamber' até não poder mais: a Lily, a Lolita, a Zizy, o Scooby - e mais duas beijoqueiras: a Filipa e a Cila. Por isso, meu amigo, estamos quites!

Quando quiserem é só dizeres... que vos receberei com todo o vinho do Porto possível.

E vai um brinde à nossa amizade!
Lucy

utopia das palavras disse...

Esta canção do Carlos Paião tem uma letra fabolosa! Gostei imenso das gentes de S. Cipriano (que eu não conheço)retratada aqui nas tuas belas fotos...e o vinho do Porto...que dizer desse néctar, meu Deus!!!!!

Mais um belo post, inspirado nestes caminhos de prazer! Parabéns!

Beijinho

Eduardo Aleixo disse...

Eu só não me referi ao S. Cipriano porque desde que li umas páginas do liro ...cruzes canhoto...e tive bisões e oubi ruídos, que até o cálice se entornou, o do binho do Puerto...nunca mais quis falar nisso, a minha mãe disse-me, Eduardo, tem cautela, filho, se alguma mulher te falar nisso, foge, nem que seja fidalga...e assim tenho feito...

Eduardo Aleixo disse...

Ah!
Sobre o pombal e a questão das pombas, o Zé do Telhado já respondeu no seu blogue: À Beira da Cabana.

Agulheta disse...

Lucy.Eu como boa Portuguêsa que sou adoro o meu país, o Douro é por excelência um lugar belo e lindo,o ano passdo fomos ao Pinhão de barco e viemos até à Régua! lindo muito lindo,quanto a o vinho é dos melhores para mim claro,sem desprestigiar os outros. O Carlos Paião,jamais será esquecido o compusitor e músico cantor.
Beijinho

Lucy disse...

Ausenda,

Garanto-te que podes visitar à vontade S. Cipriano, sem as 'cruzes canhoto' do Eduardo. Por lá não se fala em 'mezinhas', mas diz algures (na Internet) que andam OVNIS!?
Às vezes, eu passo os fins de semana na quinta de uns amigos e asseguro que não vi nenhum... e até já me levantei antes do sol-nascer.

Pois então, minha menina, também ergo um copito em tua honra!

(O vinho do Porto sobe rápido...puxa!?)

Beijinho,
Lucy

Lucy disse...

Ó sinhore Eduardo,

Num é que bossemecê anda a ter ilusões!? Atão num bê que S. Cipriano é um santo e num é um bruxo!? Balha-me S. Grigório"!!!
Bá lá fazer as cruzes pr'á sua terrinha, homessa!

Inda num fui à sua cabana, mas estou lá perto e dou uma entradinha. Componha-se, se faz fabore!

Fique cum passe-benhe, desta sua comadre e amiga,
Maria F.

Lucy disse...

Lisa, és uma rapariga do norte e está tudo dito"!

Beijinhos mil para ti, minha bombeira preferida!
Lucy