Fotografia do "Rio Cávado, no Gerês"

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Mosteiro das Montanhas: Nossa Senhora da Abadia

«Regressem ao silêncio das vossa Almas, e ali permitam que o Som do Espírito dilua todos esses ruídos»  Pedro Elias (in A chave de Andrómeda)

Dizia-me um senhor idoso, que encontrei no museu de Nossa Senhora da Abadia, que toda a peregrinação a Santiago de Compostela começava aqui na Nossa Senhora da Abadia, passava por São Bento da Porta Aberta e terminava no Mosteiro de Santiago de Compostela. Assim se completava a trilogia de peregrinação. 

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Nossa Senhora da Abadia é uma invocação católica da Virgem Maria. É conhecida também como Santa Maria do Bouro. Esta devoção surgiu a partir de uma imagem proveniente do Mosteiro das Montanhas, em BragaPortugal, no ano de 883. Abadia é o nome que vem de Abade, o qual é o superior de uma comunidade de monges, eleito por eles com total autoridade e jurisdição ordinária sobre ela. Por isso, Abadia pode significar a comunidade religiosa ou residência dos monges. A imagem de Nossa Senhora da Abadia é muito bonita. Representa Maria de pé, segurando com a mão o menino Jesus com uma coroa.E com uma belissima roupa das cores verde com flores,rosa,azul e branco e na mão direita um cetro para guiar os seus filhos e filhas e na cabeça uma linda coroa.
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Origem da devoção

A devoção a Nossa Senhora da Abadia é originária de Portugal.
A imagem de Nossa Senhora da Abadia é bastante antiga, procedente do Mosteiro de Bouro, situado no concelho de Amares, em Portugal. Por isso é também chamada Santa Maria de Bouro. O Mosteiro de Bouro já existia naquela região por volta do ano 883. Naquele tempo, Portugal e Espanha tinham sido invadidos pelos mouros, que professavam a religião muçulmana. Com receio dos mouros, os monges abandonaram o Mosteiro e, para evitar a profanação da imagem da Virgem Santíssima, esconderam-na.

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Após muitos séculos, no tempo do Conde D. Henrique, o fidalgo Pelágio Amado abandonou sua vida mundana e tornou-se eremita. Ele foi viver com um velho ermitão na ermida de São Miguel, perto de Braga.

Certa noite, num vale próximo da ermida, os ermitãos viram que brilhava uma luz bastante forte. Na noite seguinte, constataram que o fato se repetiu. Quando amanheceu, foram até o local, onde encontram uma imagem mariana entre as pedras. Cheios de júbilo, eles se prostaram diante da imagem e, agradecidos, passaram a venerar nela a Virgem Maria.

Muitos devotos, os eremitas mudaram-se para aquele local e construíram ali uma simples ermida, onde colocaram a imagem. Tendo sabido do fato, o arcebispo de Braga foi visitar a imagem naquela ermida. Sensibilizado com a pobreza dos ermitãos, o bispo ordenou que edificasse uma igreja para abrigar a imagem. A igreja foi construída de pedra lavrada.


Paulatinamente, outros religiosos foram morar com os dois ermitãos, constituindo uma abadia. Com o aumento de prodígios realizados sob a intercessão da Virgem Maria, a devoção se espalhou e ficou conhecida em todo o país. O rei D. Afonso Henriques fez sua peregrinação à igreja, onde deixou boa doação para o sustento do culto e dos monges.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Nossa_Senhora_da_Abadia



As primeiras comunidades cristãs monásticas consistiam em grupos de celas ou cabanas reunidas em torno de um centro, onde habitava um eremita ou anacoreta de reconhecida virtude e de vida ascética exemplar, mas sem obedecer a qualquer ordem espácio-funcional.
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Cistercienses

Contudo, em termos estéticos, há a referir a síntese estética entre o românico, próprio de grande parte dos locais onde se estabeleciam e, de certa forma, aparentado aos ideais de simplicidade da Ordem, com o gótico, onde o virtuosismo estrutural e a sua tendência decorativista se tiveram de aliar e reformular, ao fazer conviver uma concepção mais humanista com outra, essencialmente espiritual.O mesmo espírito se manifestava na escolha dos locais onde os mosteiros eram erigidos. 
Quanto mais lúgubres e selvagens fossem as redondezas, mais estas se adequavam aos costumes austeros e rígidos dos monges. Mas estes assumiam uma vocação não apenas ascética mas também de trabalho e modificação do seu ambiente. 
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Os mosteiros Cistercienses deveriam, por regra, ser fundados em vales profundos bem providos de água. Ficavam, por isso, sempre junto a um rio, regato ou fonte, ou mesmo construídos sobre esses cursos de água, como acontece em Alcobaça, onde a cozinha é atravessada por um afluente do rio Alcoa. Tais vales, graças ao labor dos frades, eram profundamente alterados, passando de locais inóspitos a lugares altamente produtivos a nível agrícola. Pântanos, lamaçais, bosques sinuosos e florestas impenetráveis eram, geralmente, o terreno preferido para a acção empreendedora desta Ordem. 
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O "vale claro (luminoso)" ou Claraval, de São Bernardo, era, antes conhecido como "Vale do Absinto", ou da amargura, onde se refugiava toda a casta de bandidos. Milman, no seu "History of Latin Christianity", Volume III refere: " Era uma solidão sombria e selvagem, tão absolutamente estéril que, em princípio, Bernardo e os seus companheiros foram obrigados a viver sobre folhas de faia.

(Mosteiro de Santa Maria do Bouro)

"O renascimento monástico que se seguiu, o Cisterciense, durante os últimos anos doséculo XI, teve também uma vasta difusão e persistiu por mais tempo. Ainda que o grande impulsionador da Ordem tenha sido São Bernardo, ao tornar famosa a Abadia de Claraval (Clairvaux) em 1116, onde demonstrou um fervor notável, os seus fundadores foram São Roberto de Molesme e Santo Estevão Harding, em Cîteaux (Cistercium), uma floresta solitária e quase inacessível entre a região de Champagne e a Burgúndia


A nova Ordem derivava dos Beneditinos e seguia, portanto, a Regra de São Bento. Pretendia reformar os costumes monásticos ao aplicar regras rígidas de auto-abnegação que depois foram adoptadas pelas igrejas e instituições que pelos seus esforços foram erigindo por toda a Europa. A característica determinante das abadias Cistercienses consistia na sua extrema simplicidade e austeridade arquitectónica. Apenas se permitia uma torre, central, e de baixa estatura. Pináculos e torreões desnecessários passaram a ser proibidos. O trifório passou a ser omitido nas igrejas da Ordem. As janelas deveriam ser simples, sem divisões e sem vitrais. Prescindia-se de qualquer ornamentação acessória. As cruzes deveriam ser de madeira; os castiçais, de ferro. Tudo o que fosse exposto ao olhar deveria dar um testemunho de renúncia a qualquer vaidade mundana.



"Tenho de me lembrar. O passado é que veio a mim, como uma nuvem, vem para ser reconhecido: apenas não estou sabendo decifrá-lo." João Guimarães Rosa
(retirado do livro: "Alma de Isabel - de Aragão ao Chiado", de Teresa Gomes Mota)
http://www.caminhosdepax.pt/home.html#ecwid:category=0&mode=product&product=8282148


1 comentário:

Campista selvagem disse...

A PARTIR DAÍ É FACIL...
Muitas vezes palmilhei esses caminhos, a partir de Braga passa-se por Adaufe, Ponte do Porto,"Linda de se ver" de seguida... bem mais à frente o mosteiro de Bouro, digno de uma visita, a partir daí sim lá vem a Abadia.
Após esta (já referida)aparece a serra ultimo obestácolo para chegar-mos a S. Bento da Porta Aberta, uma caminhada anual,feita muito a gosto...
"boa escolha para os crentes e para os infieis"