Fotografia do "Rio Cávado, no Gerês"

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Há árvores que morrem de pé! - Homenagem a Manuel Cunha


No outro lado das palavras
vejo as coisas que não vês
sinto o mundo que não vejo
abro portas e janelas
memórias antigas
de casas vazias e sós
respiro os instantes
que passados vivi
que oiço zunir dentro de mim
as paredes ecoam
de martírios sofridos.

Onde está a alma
de seres já partidos
nos milénios esgotados?

Onde estão as dores
das mães que pariram
dos soldados que pereceram?

Onde está a humanidade
do ser feito humano?

(Carlos d'Estrufe - in "Poemas 5 e Inquietações")


Manuel Cunha, de Riba D'Ave,
deixou-nos hoje, dia 19 de Fevereiro.


Um amigo,

um familiar de familiares meus:

Pai de meu cunhado Miguel Cunha,
sogro de minha irmã gémea Manuela Ramos,
avô de meu sobrinho Miguel Ramos Cunha,
bisavô de meu sobrinho-neto Daniel Oliveira Cunha - o menino que, certamente, prolongará o seu nome até um Portugal reedificado.


"Repasso aqui um um texto de 2005, num panorama sempre actual - escrito pela mão de um Homem que sempre lutou pelo seu País - com uma visão clara do que é ser Português."



As árvores já não morrem de pé


As Tílias centenárias de Riba de Ave acabaram por ser abatidas pelas mãos criminosas dos homens, num processo nebuloso em que os interesses privados se sobrepuseram ao interesse público. Árvores que aprendemos a plantar e não a destruir, pois até nos ensinaram que quando se abatem as árvores os rios deixam de correr...

De muitas pessoas ouvimos dizer que sentiam vergonha pela ousadia do corte e uma emigrante disse mesmo que era um dos dias mais tristes da sua vida, ela que nascera com as árvores e ali vivera largos anos e que vinha de um país estrangeiro em que é crime o derrube de qualquer árvore.

Qual é a idade de uma árvore? Na serra da Estrela, noticiaram os jornais, arderam algumas com mais de 1.500 anos...

É preciso lembrar que Tortoreli, acariciando as milenares araucárias no bosque de murta da Patagónia, dizia: “pensem por um momento que quando surgiu o império Romano e quando este foi derrubado, quando os gregos e os troianos combatiam por Helena, estas árvores já estavam aqui, e aqui continuavam quando Rómulo e Remo fundaram Roma e quando Cristo nasceu. Quando Roma chegou a dominar o mundo e quando caiu. Passaram impérios, guerras intermináveis, cruzadas, o Renascimento e toda a história do Ocidente até hoje. E aqui as têm ainda...”

O que concluir? É que do que mais temos falta é de educação ambiental, civismo e responsabilidade pessoal e respeito pelo património colectivo, pois que enquanto esse défice de educação e de carácter não for superado, Portugal não pode deixar de ser aquilo que continua a ser: um país feio, sujo e desordenado, pelas mãos de autarcas sem a menor capacidade para gerir a coisa pública.

Riba de Ave precisa de escolher os homens certos, de mãos limpas e transparentes, dialogantes e com cultura indispensável para entender toda a dimensão do poder local.

Estes anos passados foram anos perdidos!...


Manuel Cunha

Riba de Ave



(sexta-feira, 2 de Setembro de 2005

Simpatizantes do Bloco escrevem para o blog

Manuel Cunha, Ribadavense e cidadão habituado a estas andanças da política, decidiu escrever para o nosso blog com o intuito de dar voz à sua indignação em relação a 2 assuntos incontornáveis: o abate das tílias e o "atentado" realizado pela actual coligação PSD/CDS-PP/CDU na Junta de Freguesia de Riba de Ave.


daqui: http://www.befamalicao.com/2005/09/simpatizantes-do-bloco-escrevem-para-o.html 




A última mensagem, no seu Blogue: LEMMA

quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2010

Sócrates, até quando?
Pertenço a uma geração que se tornou adulta durante a II Guerra Mundial. Acompanhei com espanto e angústia a evolução lenta da tragédia que durante quase seis anos desabou sobre a humanidade.


(...)

Ler mais, aqui:
http://manuelcunha.blogspot.com/



Até sempre!


7 comentários:

S disse...

Umaa bonita homenagem a um lindo ser humano...

Conheci pessoas que eram jovens adultos durante a 2ª GG, era como se eles fossem personagens históricas.

Quanto às árvores, elas morrem sempre de pé, sim! Mesmo que derrubadas por idiotas! É o que sinto.

Um abraço

Eduardo Aleixo disse...

Os meus sentimentos.
Pelo que li era um homem sensível e justo.
As suas palavras e actos - que sejam por todos prosseguidos.
Paz para ele.
Um abraço.

Lucília Ramos disse...

Agradeço comovida à minha querida amiga S. e, ao meu poeta preferido, Eduardo Aleixo.

Um grande abraço para os dois.

Sérgio Ribeiro disse...

Cíla,

Circunstancias que nos são penosas levaram-me a fazer buscas na internete à procura de homenagens ao nosso amigo comum Manuel Cunha para serem publicadas no LEMMA se os seus autres autorizarem.

Não fiz ainda uma navegação completa pelos seus blogues, mas o que vi gostei muito.

Aceite pelo que tem postado quer no Portugal__________a Descobrir, quer no Noites de Insónias os meus parabéns.

A Queda d' Anjo fez de mim um admirador de CCB e agora um visitador dos seus Blogues.

Um abraço,

Sérgio Ribeiro

Lucília Ramos disse...

Sérgio,

Grata fico eu pela tua visita aos meus blogues. Serás sempre benvindo.

Lastimámos os dois a perda do Sr. Maneule Cunha.

Um grande abraço para ti, Sérgio.
Cila

Ana Delgado disse...

Conhecia-o mto bem. Grande homem! Mto amigo do meu pai. Saudades... Encontrei este blog por acaso. Tb sou de S. Mateus, mas vivo em Lisboa há vinte anos, desde q vim para a Universidade. Não estou a ver quem é a Lucinda... Parabéns ao seu blog, está lindo.

Ana Delgado disse...

*Ups, desculpe! Queria dizer Lucília e não Lucinda...