Fotografia do "Rio Cávado, no Gerês"

terça-feira, 30 de junho de 2009

Brinquedos da nossa geração

Dedico esta postagem aos meus irmãos, pois foi no seio familiar, que fiz a primeira aprendizagem na arte de brincar.


Em Junho de 2009, a Casa do Povo de Lousado - Vila Nova de Famalicão - levou a efeito uma exposição de "Brinquedos da Minha Geração" - que tive o prazer de visitar no átrio da Biblioteca Municipal de Famalicão.

Foi com emoção que reavivei na minha memória brinquedos que foram de meados dos anos cinquenta a princípios de sessenta, alguns deles recebidos nos meus aniversários de criança, outros ainda, nos Natais da minha inocência, como prenda no sapatinho.

Antigamente, não era comum oferecer-se brinquedos às crianças em qualquer época do ano e, também, não havia o "Dia da Criança", de maneira que qualquer brinquedinho recebido nestas duas datas importantes da vida infantil, fazia as nossas delícias por longo tempo.

Muitos destes jogos expostos me fizeram recordar certas amizades de infância, aquelas com quem partilhámos passatempos e descobertas que a nossa imaginação infantil deixou voar...


Recordemos:

17 comentários:

Anónimo disse...

Brinquedos, brinquedos, lindos brinquedos! Como era bom brincar, com brinquedos comprados ou feitos por nós.
Lembro-me de uma miúda, uma cigana, que tinha o sonho de ter uns patins. Falava em juntar carrinhos de linhas, colava uns aos outros e depois atava-os à sola dos sapatos. Nunca esqueci esta hostória dos patins com os carrinhos de linhas.
As crianças hoje têm tantos brinquedos que nem ligam.

Abraço, menina Lucynha

Eduardo Aleixo disse...

Parabens, Lucy. É um post muito rico e evocativo de tempos em que criávamos e inventávamos. Tempo em que não havia televisão. Rádios, poucos. E dinheiro, pouquíssimo. Brincar era coisa séria. Tema que me daria pano para mangas. Eu brinquei a tudo: bricadeiras de rapaz e brincadeiras de rapariga. Se me apetecer ainda aqui voltarei. Mas foi uma delícia. Bem hajas. Bem haja quem concebeu e organizou este evento.

Lucília Ramos disse...

Minha Anónima do coração,

E não é que vivíamos tão satisfeitas com os poucos brinquedos que tínhamos?!

Quantos jogos criados e inventados, às vezes só com umas pedrinhas. Lembro-me de adorar colocar um barquinho de madeira, feito pelos meus irmãos, no tanque grande da casa. Como sonhava ao vê-lo deslizar na água!!!

É bonita a história dos patins feitos com carrinhos de linha.

Eu tive uma grande boneca de papelão, feita por um tio que vivia em Braga e fabricava esse tipo de bonecas. Lembro-me que adorava visitá-lo e vê-lo pintar os cabelos, os olhos, os lábios, das bonecas de papelão. Ele trabalhava num sótão e era bom olhar à volta e ver tanta boneca por onde escolher. Ele deixava-nos escolher e claro, íamos logo para as grandes.

Tantas lembranças tenho de brincar e dar muito valor aos brinquedos.
Outros tempos!!!

Beijinho, minha menininha!
Dorme bem... que ao acordares vais ler esta mensagem, eu sei.

Lucy

Lucília Ramos disse...

Eduardo,

Estava à espera que falasses aqui um pouco das tuas brincadeiras preferidas. Sei que devias ser rapazinho para inventares e criares os teus próprios brinquedos.

Um irmão meu, rapaz muito espertinho, tipo inventor, chegou a construir uma máquina de projectar filmes. Com uma caixota de madeira, uma lâmpada, um carrinho linhas, uma lente, uma grande tira de papel com desenhos feitos por ele, dava à manivela e punha-nos de boca aberta a olhar para a parede. E era ele tão criancinha como nós. Um engenhocas - e foi mesmo a sua profissão no futuro.

Eu brincava muito às casinhas com a mana Nela. Um Natal, pedimos um saco cheio de brinquedos ao Menino Jesus (o Pai Natal ainda não tinha nascido), mas sem acreditar muito que isso seria possível. Mas foi... de manhãzinha lá tínhamos um saco cheio: com panelinhas, fogão, ferrinho, bonequinhas, tal e qual como vês nesta exposição. Meu Deus, que alegria!... E ainda por cima, um bilhete escrito por DEUS, a dizer-nos, em letras bem gordas (assim eu imaginava Deus - muito grande e gordo) que tínhamos de comer tudo, se não, não recebíamos mais prendas. Bem, naquele dia fizémos um esforço. Éramos umas trinca-espinhas, a martirizar toda a família por não comermos nada, o que nos valeu alguns brinquedos de negociação.

O meu irmão engenhoca ficava furioso, pois comia tudo e só tinha um carrinho, ou motinha, dessas de folheta como se vêem aqui nas fotos.

Quanta coisa a recordar!

Pode ser que ainda volte com mais alguma história.

Beijoca,
Lucy

Astrid Annabelle disse...

Olá Lucy!
tempos bons esses tempos...onde brincar não tinha nada a ver com dinheiro.
Onde brincar era acordar de manhã e imaginar uma brincadeira...ou, ainda, construir um brinquedo...brincar era criar, era sonhar, era sair do plano físico para o mundo da fantasia...era viver intensamente, tanto, que os anos passam e a memória mantém fresco os anos do brincar...
Lindo post.
Um beijo grande.
Astrid Annabelle

Eduardo Aleixo disse...

Em primeiro lugar um beijinho terno à Astrid, embora não saiba se me vai ler. Outro para a Nela trepadeira, que não se cansa de espreitar ansiosa a cabana a despeito de esta estar em repouso depois da ida do Zé e da Maria para França. E um beijo especial para a dona do lindo blogue.
Sou o Zé: era pobre. A minha bola começou por ser a bexiga do porco. Quando havia matança do porco a miudagem ficava à espera que os donos do porco nos dessem a bexiga. Depois, numa fase mais rica, joguei a bola com as meias da minha avó. Roubava-lhe as meias, punha lá dentro papéis e era bola fina. Ter uma bola de couro, era luxo.
Sou a Maria: era pobre. As minhas bonecas eram de papelão. E de trapo. Só as fidalgas tinham " bonecas de chorar e de rir". Tinham um botão nas costas. A gente carregava no botão e elas choravam. Tinham os olhos azuis, da cor o mar.
Sou o Eduardo: eu esperava pela Feira de S. Mateus, em Agosto, para comprar uma moto de lata e jogar os matraquilhos. Com o dinheiro que ia juntando. A minha mãe manava-me fazer " mandados": comprar azeite, vinagre, sal, etc. E por cada mandao dava-me um tostão. Eu punha no porquinho. Era uma alegria. Mas o meu irmão, que era engenhocas, queria ver a moto por dentro e partia-a toda. Eu ficava triste, à espera da próxima feira.
Agora tenho de terminar. Mas vou continuar esta história dos brinquedos, ou melhor, das brincadeiras. Porque...é a história da nossa geração ( da minha ).
Obrigao, Zé e Maria, pela vossa participação a partir de França.
Nota: a cabana não está abandonada. Será a última coisa que eu abandonaria. Um abraço a todos.

Eduardo Aleixo disse...

Onde está mandao é " mandado"

Eduardo Aleixo disse...

Mas a brincadeira que mais adorava era brincar aos maridos e às mulheres! A minha mulher era a Rita. E tínhamos uma criada: era a Luciana. Que tinha ciúmes da Rita. Aos fins de semana íamos passear de pópó. Tínhamos um pópó. O pópó era eu. A minha mulher agarrava-se aos meus suspensórios ( das calças )e a criada ia atrás e agarrava-se aos ombros da patroa, a Rita. Eu conduzia, circulava os punhos ao jeito de volante e apitava: pi..pi..pi.. e fazia o som do motor com a boca: brrum...brrum..brrum... e lá íamos pelas ruas da vila...
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A Rita deu-me um filho. Era um boneco de trapo. Chegou o dia do baptizado. A minha mãe ajuou com uns tostões e comprámos uns bolinhos que se chamavam " beijinhos ) e que ainda há à venda em alguns - poucos - lugarejos de Lisboa, mais outros em forma de coração, pusemos a mesa, com uns cálices feitos com pratas, daquelas que cobriam os chocolates, e então eu, olhando para os bolinhos, e com pensamento mau, disse assim:
- Vocês agora vão à Igreja baptizar o boneco , que eu fico aqqui a guardar a mesa por causa os ladrões!
A Rita e a Luciana estranharam, mas disseram que sim. E foram mesmo até à Igreja, que distava umas boas ruas da minha casa e eu fiquei.
Não resisti e comi quase todos os " beijinhos" e " corações "
Foi um escândalo, quando chegaram.
Levei uma sova da minha mãe. A minha mãe ainda hoje conta esta história do baptizado do boneco
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Tantos anos passados, quando encontro a Rita, ela diz:
- Lembras-te, Eduardo, do baptizado do boneco? - e ri com o mesmo sorriso puro que tinha então.
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Pronto. Acho que fico por aqui. O resto das brincadeiras são o normal dos tempos da minha meninice: o ringue, o jogo da corda, o peão, o berlinde, o jogo das escondidas, o arco de metal que conduzíamos com um arame, as " rodas" em que cantávamos, rapazes e raparigas, nos dias longos de Verão, os espectáculos, em que imitávamos o circo da ultima feira e em que uns faziam de palhaços e outros de artistas:
......as raparigas punham as saias entre as calcinhas em forma de balão e então cantavam:
É o Circo Royal
Da bandeira nacional
Com piratas e artistas
Desta festa musical..........
...e os adultos, nas noites de Verão, que presenciavam, batiam palmas. Nota´: quem quisesse participar no circo, tinha de pagar...um botão. Levei mais uma sova porque ficava com poucos botões nas camisas!
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Foi o tempo em que apareceram em Portugal os primeiros filnes de cowboys. Eram filmes para mais de treze anos. Fazíamos o possível para entrar escondidos debaixo ou por detrás dos casacos dos adultos. Era coisa importante. Nos outros dias fazíamos pistolas com o xisto que abunda na minha terra. E púnhamos as pistolas como os actores brancos punham nos filmes, Eram os nossos herois. Uns faziam de brancos. Outros, de índios. E outros faziam de cavalos. E lutávamos nos serros da vila. E os brancos ganhavanm sempre. A queda quando se levava um tiro era como no cinema....dramática, com sons lancinantes...
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E pronto. Era assim.
Abraços meus.

Agulheta disse...

Lucy! Tantos que passaram pelas minhas pequenas mãos iguais a estes! Os dos meu irmão,os carrinhos eramos felizes com o pouco,o que muitas vezes eventavamos,vi aqui tanto que veio a saudade do instante,hoje os meninos tem tanto e nem valor dão.
Bom trabalho aqui postado,estou de volta de energias temperadas.
Beijinho fica bem

Lucília Ramos disse...

Astrid,

O que todos da nossa geração sentimos, é que o importante não era ter brinquedos, mas sim brincar!

Hoje, tudo mudou, as crianças cansam-se depressa dos brinquedos. Os rapazinhos só gostam da bola (eu via na escola) ou de jogos no computador. As meninas gostam de barbies todas enfeitadas e senhorecas.

Sinais dos tempos!!!

Beijoca,
Lucy

Lucília Ramos disse...

Eduardo,

Eras cá um rapazinho todo activo e malandreco - daqueles de boa pinta.

Muito nos contas de ti, da Maria e do Zé. Realidades bem reconhecidas.

Essa tua capacidade de inventares diálogos e personagens, também vem de criança, concerteza.

Acho que há afinidades entre as nossas brincadeiras. Lá em casa também se fazia muito teatro e muito 'faz de conta'. Juntávamos as cadeiras todas e era um grande comboio, com paragens e tudo.
Felizes tempos em que toda a família ainda vivia debaixo do mesmo tecto. Depois partiram todos... e muita coisa morreu, menos a memória desses tempos.

Abraço a criancinha linda que tens 'ainda' em ti.
Lucy

Lucília Ramos disse...

Lisa,

Ainda bem que as energias estão em alta. Força aí, mulher do norte!

Pelo que li, esta exposição foi organizada a partir de recolha de brinquedos antigos, pela população escolar.

Quem me dera ter ainda alguns destes brinquedos, mas as mudanças de casa fizeram com que tudo se perdesse.

Pronto, fica a lembrança deles ao rever uma exposição como esta.

Beijinhos,
Lucy

Isa Grou disse...

Lucy querida,

Como eu era de família muito humilde, quando menina (+/- 1980~1983), a minha boneca era uma espiga de milho, sabia? Os nossos (meu e de meus irmãos) brinquedos eram "criações" nossas mesmo.......e era tão bom....

Muito obrigada ontem, viu!
Se puder dar uma passadinha no Isa Grou.......... o post de hoje é dedicado a você também!

Beijos.

utopia das palavras disse...

Obrigada Lucy, por me fazeres recordar tanta coisa bonita. Reconheço muitos dos brinquedos ali expostos, brinquei com alguns deles!
Tenho muita pena de não ter nenhum guardado, mas os pais não viram necessidade nisso e só agora reconhecemos o quão era importante podermos testemunhar aos filhos, aquilo que era a nossa maior alegria...a brincadeira pura e simples!
Mas o que eu gostava mesmo era de brincar às casinhas, passava horas a fio num pombal desactivado que havia lá no quintal, dos poleiros dos pombos fazia as minhas prateleiras onde colocava naperons e jarrinhas de flores. O meu pai construiu uma cama em madeira, a minha mãe fazia os lençois e assim adormeciam os meus bonecos na mais perfeita harmonia. A cozinha era um luxo, com as tais panelinhas e cafeteiras em latão, o fogãozinho etc. Também passava horas a jogar ao pião e ao berlinde, ao arco, à corda, tanta, tanta coisa, que te digo, com algum empenho escrevíamos um livro!
Bons tempos...e a noite já vai longa!

Beijinho

Isa Grou disse...

Olá Lucy querida,

Este mês (sou leonina) farei 41 anos.......um "pouquinho" mais velha que seu filho......) *risos

Beijo.

Lucília Ramos disse...

Isa,

Lembras-te do 'Sítio do Picapau amarelo'? Olha, as brincadeiras lá, assim como os brinquedos, eram como os teus. Como eu gostava da série... apesar de já não ser uma menina!

Obrigada pelo testemunho.
Beijo,
Lucy

Lucília Ramos disse...

Ausenda,

Era mesmo giro compilarmos um livro de histórias de 'aquém e além mar', só de brincadeiras e brinquedos da nossa geração.

Gostei de saber das tuas brincadeiras, sempre me pareceste do género de construir casinhas nas árvores. Mas brincar às casinhas também foi o meu forte, talvez me tenha fartado!... :)

Abraço,
Lucy