Fotografia do "Rio Cávado, no Gerês"

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Serra da Estrela - Covilhã (7)

E chegadas à Covilhã... ao destino a que nos propúnhamos, rondamos a cidade numa  'calorosa' noite dos finais de Novembro.

De noite, encontramos a Mãe - a Estrela da Serra. 

No solarengo dia seguinte, visitamos o Pêro... o da Covilhã, figura imponente, majestosa... a deixar-nos reduzidas à nossa insignificância... na demanda do reino de Preste João.

Mas percorrer a cidade traz também o 'aperto no coração', pelas memórias de outros tempos... muito duros... em que a neve rivalizava com a lã,  tão bem descritas pelo escritor "Ferreira de Castro".




Covilhã é uma cidade portuguesa, porta da Serra da Estrela, com cerca de 34 mil habitantes... 
Situada na parte sudeste da Serra da Estrela, a área urbana da Covilhã possui altitudes que variam de 450 a 800 metros. É também a cidade portuguesa mais proxíma do ponto mais alto de Portugal Continental, a Torre (1.993 metros), distando cerca de 20 km do cume da Serra da Estrela. A Torre pertence aos concelhos de Covilhã, Manteigas e Seia. A Torre também dá o nome à localidade onde está situada, a parte mais elevada da serra.
É a terra da indústria da lã, de cariz operário, berço de descobridores de quinhentos, hoje uma cidade com Universidade pública.
É uma cidade de características próprias desde há séculos, conjugando em simultâneo factos interessantes da realidade portuguesa.


Num estudo elaborado pelo jornal Expresso, sobre a qualidade de vida nas cidades portuguesas, a Covilhã ocupa a 14ª posição, situando-se à frente das restantes cidades do interior do país.






Pêro da Covilhã

Viajante português do século XV. Foi enviado à Índia e à Etiópia por D. João II, em 1487, a fim de recolher informações acerca do Preste João e das rotas do comércio das especiarias. Ia com ele Afonso de Paiva, de quem se separou em Adém. No ano seguinte, Pero da Covilhã esteve em Goa, Ormuz e Calecute, percorrendo depois a costa oriental de África. Fazendo chegar ao rei, através de um emissário, as informações recolhidas, partiu em 1492 do Egito para a Etiópia, onde morrera entretanto Afonso de Paiva e onde Covilhã também morreu.

http://www.infopedia.pt/$pero-da-covilha

A Lã e a Neve



Romance de Ferreira de Castro publicado em 1947. Retrata a dura realidade da vida do povo, através do relato da vida de Horácio. No sonho de construir uma casinha decente, esta personagem abandona a pastorícia da Serra da Estrela, onde lutava contra as tempestades, e vai para a fábrica da Covilhã, onde tem de lutar contra a prepotência dos capitalistas.
http://www.infopedia.pt/$a-la-e-a-neve



Do «Pórtico» de A LÃ E A NEVE (1947)
[...]
No começo do Verão, antes de demandar os altos da serra, ovelhas e carneiros deixavam, em poder dos donos, a sua capa de Inverno. E começava a tecelagem. O homem movia, com os pés, a tosca construção de madeira, enquanto as suas mãos iam operando o milagre de transformar a grosseira matéria em forte tecido. Constituía o acto uma indústria doméstica, que cada qual exercia em seu proveito, pois a serra não dava, nessas recuadas eras, mais do que lã e centeio.
[...]
Um dia, tudo se revolucionou. Já não se tratava de melhores debuxos, de mais gratas cores, mas de coisa mais profunda -- da produção automática. Lá nas nevoentas terras inglesas o padre Cartwright inventara o tear mecânico. A água fazendo girar grandes rodas, começara a produzir o movimento dado, até aí, pelos pés do homem. Mas continuam a ser precisos os homens junto das novas máquinas.
[...]
Os homens passavam os dias e as noites dentro das fábricas só saindo aos domingos, para esquecer o cárcere. Já não viam as ovelhas, nem ouviam os melancólicos tanger dos seus chocalhos nos pendores da serra, ao crepúsculo; viam apenas a sua lã, lã que eles desensugavam, cardavam, penteavam, fiavam e teciam, lã por toda a parte.
[...]
No século XX, mais do que sons de flautas pastoris descendo do alto da serra para os vales, subiam dos vales para o alto da serra queixumes, protestos, rumores dos homens que, às vezes, se uniam e reivindicavam um pouco mais de pão.

FERREIRA DE CASTRO - A Lã e a Neve, 15.ª edição, Lisboa, Guimarães Editores, 1990.


http://www.ceferreiradecastro.org/?id=2.2.1.7.5

1 comentário:

Campista selvagem disse...

Boa omenagem, à terra e seus elustres.