Fotografia do "Rio Cávado, no Gerês"

domingo, 31 de janeiro de 2010

4 VOZES PARA 100 ANOS DE REPÚBLICA




 Ontem pelas 22h, no Coliseu do Porto assisti ao concerto do RUI VELOSO, em que ele CONVIDA PEDRO ABRUNHOSA, RUI REININHO E SÉRGIO GODINHO.

E foi por esta ordem que eles entraram em palco, com uma audiência que superlotou o Coliseu do Porto. Rui Veloso inicia o espectáculo dando voz a um "Porto Sentido", fazendo com que a assistência fizesse eco e se juntasse à sua voz, antecipando-se mesmo no refrão. Foi um grande impulso num Porto mesmo sentido e que fez com que vibrasse uma energia 'bem em alta frequência' e se prolongasse até ao final do espectáculo.

A juntar-se a ele vieram os outros 3 'cromos' do Porto - como ele próprio definiu os amigos de estrada...

Pedro Abrunhosa todo estiloso, vestindo uma t-shirt turquesa, todo ele a dar nas vistas (por isso é que usa sempre os óculos de sol, para não se ofuscar quando se vê ao espelho). Encantou e pôs todos a cantar: "Socorro, estou apaixonado... é impossível resistir a tanto charme!" Mas quem foi que te perdeu... Pedro?

Depois vem aquele 'poste' do Rui Reininho, que de certeza tem microfones feitos à sua altura. "Bem bom!” foi com esta canção que iniciou a sua actuação. Não lhe faltou a "pronúncia do norte" nem o "vamos viajar sem sair do lugar... vamos naufragar e morrermos a rir...". (Ainda hei-de tirar a letra desta canção espectacular)

E por fim, o meu favorito, Sérgio Godinho, cantando com um brilhozinho na alma: "Olá cidade do Porto, a lágrima ao canto do olho, estava fechada há que tempos, com um ferrolho... Ai, eu estive quase morto no deserto e o Porto aqui tão perto..." e de certeza que este foi "o primeiro dia do resto da sua vida".

Um espectáculo bem animado onde não faltaram as 'estrelas do céu' do Chico Fininho a reinar com o Godinho, o Pedrinho e o Reininho... naquela voz inconfundível de quem tem todo o tempo do mundo para encantar.

E aconteceram os duetos, os tercetos, até chegarem ao quarteto.

Como os 'encores' não terminavam nunca - ainda vieram animar a populaça com os telefonemas que fizeram à Etelvina, à Isaura, à Olga... e ao domingo ficaram de folga.

E porque já era domingo, 31 de Janeiro (acabou o concerto à 1h da manhã - bem bom!), dia em que foi proclamada a República Portuguesa, e porque lá andaram os avós do Sérgio Godinho, as 4 vozes entraram mais uma vez em palco cantando o Hino Nacional.

Foi um momento solene a que toda a gente aderiu, numa unidade de patriotas a elevarem e a sentirem a Voz de seus egrégios avós (que há-de levar-nos à Vitória!).

Lá do fundo, das galerias do Coliseu, foram estas as fotos possíveis do concerto.
Janeiro 2010

2 comentários:

João António Vieira disse...

Se não fosse a t-shirt do Abrunhosa tu nem vias o concerto. AHAHAHA

Eduardo Aleixo disse...

O Zé do Telhado acabou de me telefonar a perguntar o que eram os " encores " do concerto. Eu lá expliquei. A Maria da Fonte exultava com o Sérgio Godinho, dizendo: lembras-te, Zé, na cabana, quando ele nos enganou- e bem - com o último dia da nossa vida,e a gente, com medo, que é como quem diz, tu, me arrebataste, Maria, há só este dis, carago...
Mas o Zé, com o olhar quente, mas ausente, tinha ficado embasbacado com aquela coisa do Vamos viajar sem sair do lugar... Eu sou português, imigrante portuense, do binho berde, e compreendo, eu sou como este gajo, tou aqui, mas viajo, sem sair do lugaar, quen saudades da morgada, não tens Maria?
Fez-se silêncio.
O rosto do Zé não era o mesmo. Queria dissimular, mas Maria era Maria. Conhecia-o:
-Carago, que tens, homem de Deus?
Zé não levanta os olhos do chão. As mãos calosas do trabalho da fábrica da metalúrgica dos arredores de Paris parecem que raspam e fazem ruído, só ele, calado.
- Que aconteceu à morgada, homem de Deus?
Zé molha os lábios secos, levanta a cabeça, olha a sua companheira, com doçura tímida e diz:
- A morgada, Ce nést pa..
- Ce nést pa, a morgada?
- Cést à dire, foi promovida...
- Promovida? Qué isso, carago, desembuxa...
- Disse-me o DÔtor, qué Viscondessa...
- Casou?
- Nã sê!
Foi então que olharam para os olhos do Pedro Abronhosa e viram os óculos e não gostaram. Fecharam a televisão. Em silêncio foram-se deitar.
Só a Maria disse:
- Daqueles óculos a morgada nã gostava...
Ouviu-se a voz do Zé, despindo o pijama:
- Agora é vis.con...con..
- dessa, carago, és burro!