Fotografia do "Rio Cávado, no Gerês"

segunda-feira, 23 de março de 2009

Espinho - a Praia Terapêutica

Praia de Espinho ( Baia )

Uma acolhedora praia de areia branca, com acessos facilitados pela proximidade de estacionamento e transportes públicos.Indicada para a práctica de surf, convida mesmo os mais curiosos a testarem as suas habilidades no mar...A praia da Baia está vigiada, tem cafés e cabines de lona para poder usufruir em pleno, do mar e do sol de Verão.


Praia de Espinho ( Azul )
Esta praia possui um Passeio marítimo amplo, numa zona fechada ao trânsito, ideal para caminhadas. A praia reúne miúdos e graúdos no seu areal. Apoios e Infra-estruturas: Praia vigiada, Bar, Aluguer de guarda-sóis e barracas, Duches, Casas de banho, Acesso para deficientes.




A PRAIA TERAPÊUTICA

No século XIX o banho de mar era tomado com fins terapêuticos. A hidroterapia marítima estava em acelerado desenvolvimento, fruto da sua divulgação através de várias obras publicadas na Inglaterra, Alemanha e França, e em artigos publicados em dicionários de medicina e jornais científicos. Para uma boa terapia marítima tornava-se imperioso a conjugação de três factores: a água do mar, a atmosfera marítima e as condições climatéricas e topográficas da praia. De acordo com os especialistas, a água do mar exercia uma acção fisiológica sobre o organismo, resultante da sua temperatura, dos seus princípios químicos e da intensidade da força sobre a superfície externa do corpo. A praia de Espinho, com uma temperatura que poucas vezes ultrapassava os 20º, incluía-se no grupo das que eram banhadas por águas frias.

“El pintoresco Espinho es sano, sanísimo, no cede a ninguna otra playa su puesto de honor; y hablen por nosotros los incontables jóvenes de ambos sexos, los innúmeros niños que allí llegan todos los años desmedrados, anémicos, pobres de glóbulos, rojos, y tras una temporada que debiera ser más larga que lo acostumbrado por la colonia española, a su tierra vuelven fuertes, vigorosos y con sobradas reservas orgánicas para defenderse de todo los gérmenes patógenos, y muy especialmente de ese monstruo que es azote de la humanidad y que para sus victimas elige, casi siempre lo más querido, lo más adorable, la ensoñadora juventud”.
GAZAPO, Pedro – El Veraneo en Portugal, 1916.



Na praia de Espinho, o quotidiano do banhista começava bem cedo, pela manhã quando o céu se tingia de uma alvorada ridente, principiavam os banhos – “os salutarissimos banhos de mar”. A maioria dos banhistas tomava o seu banho entre as oito e as dez horas, mas o “banho chic”, “o banho tom”, o “banho da gente d`algo” prolongava-se até às onze. O ritual do banho durava pouco tempo. Os homens dirigiam-se para o mar e “recebiam o embate, varonilmente, a pé firme, para o mergulho da ordem, enquanto as mulheres “chapinhavam nas águas e uma ou duas mais animosas, molhavam a cabeça”. Para os mais receosos existia a “gamela”, que depois de cheia era despejada pela cabeça, e a selha de madeira para mergulharem os pés. Nos casos em que a saúde assim o exigia, os médicos receitavam o banho de choque, “um, dois, três choques, consoante o caso clínico”. Os banhistas eram conduzidos ao banho nos braços do banheiro ou então transportados por dois banheiros em cadeirinha, que de forma coordenada os mergulhavam rapidamente. Depois de terminada esta operação higiénica e preventiva, regressavam às suas barracas, secavam-se, se possível com “um lençol aspero até dar à pelle uma côr rosada”, vestiam-se e descansavam debaixo de grandes toldos de pano para evitarem o sol, elemento considerado nocivo para a saúde.


Ao contrário do banho “aristocrático” tomado num horário mais quente, o chamado “banho de mar dos pobres”, praticado pelas gentes dos campos, efectuava-se de madrugada, entre as seis e as oito horas. Tomavam o banho com o mesmo vestuário que utilizavam no quotidiano e, ao inverso dos estratos sociais mais elevados, não faziam uso das barracas nem do fato de banho, procurando para essa prática as zonas mais recônditas. Como raramente se despiam, o banho (bem gelado) “quase sempre se limitava à molha dos pés”. A seguir ao banho, o mais aconselhável era um passeio a pé pela praia, hábito que fazia parte de um conjunto de normas defendidas pelos hidroterapeutas da época.

Numa época em que muito poucos sabiam nadar, a figura do banheiro era uma garantia de segurança para os veraneantes que se deslocavam para as estâncias balneares, mas sobretudo para as mães, principais responsáveis pela educação dos filhos.
Nos anos 50 do século XX, uma outra figura apareceu no contexto da segurança balnear: o nadador-salvador. Esta função seria oficializada no último quartel do mesmo século, cabendo aos concessionários das praias a contratação destes elementos, indispensáveis à segurança do banhista.

6 comentários:

Multiolhares disse...

Estive na praia de espinho há pouco mais de 1 mes, é interessante ver as alterações que se vai sentindo no correr do tempo
Bj

Eduardo Aleixo disse...

Vi as fotos do mar e das gaivotas, que tiraste - obra de arte do dom que Deus te deu - e li o que escreveste sobre o meu poema e fiquei contente por teres gostado.
Não, não me deito cedo, nem tarde: adoro olhar o céu, sentir o vento no rosto e ouvir o mar...Coisas simples, mas sou assim.
Tenho tido problemas com o Zé, não da justiça, porque está cumpridor, até já paga o IRS! São assuntos entre ele e a Maria da Fonte. Calcula tu que andam zangados por causa de uma fotografia, não cheguei a perceber. Dizia ele que ela não tinha nada que mudar a foto da lagoa ao fundo e pôr outra diferente, mais perto, vê-se melhor o olhar, o rosto, a boca, os lábios ...
Então, ela birou-se, com certa violência, e ouvi-a no silêncio da noite, que até a cabana estremeceu:
- Sim, apeteceu-me mostar-me mais de perto, que tens tu com isso?
Claro que depois querem ouvir a minha opinião. E eu, como gosto dos dois, não consigo dar uma resposta satisfatória...
Beijinhos,amiga.
Eduardo

Maria Clarinda disse...

Excelente partilha, saio conhecedora de Espinho!
As tuas fotos são maravilhosas, como sempre....
Jinhos muitos

maria de fátima disse...

Olá Lucy eu adoro passear por Espinho.Beijinhos.

Atak disse...

vi que tinhas passado pelas minhas fotografias perdidas e deixado um sinal. Passei por aqui e gostei do que vi, em especial este trabalho sobre a praia de Espinho.

Beijinhos e devolve-me o cinto

Lucy disse...

Multiolhares, Eduardo, Clarinda, Fátima e Atak

Obrigada, amigos, pela vossa apreciação e disponibilidade em partilhar comentários aqui.

Beijinhos,
Lucy

P.S. - Atak - o cinto ainda vai ter de 'render' muito! Espera sentado.