Fotografia do "Rio Cávado, no Gerês"

sexta-feira, 27 de março de 2009

Estação Arqueológica do Freixo - Tongobriga - Cidade Romana

A vida que já animou esta cidade velha de 2000 anos está hoje a surgir de novo à luz do dia, fruto da investigação arqueológica permanente desenvolvida no laboratório/gabinete da Estação Arqueológica do Freixo, serviço da Direcção Regional de Cultura do Norte), responsável pela gestão do espaço de 50 hectares que hoje constitui este Monumento Nacional.
A sua actividade estende-se para lá da investigação arqueológica e procura a recuperação e restauro das ruínas, da aldeia actual e de todo o seu espaço envolvente, bem como da sua promoção e divulgação.
Recuperar edifícios, renovar e revitalizar a aldeia mantendo a sua harmonia estética e o seu valor histórico, são alguns dos objectivos que norteiam a sua actividade.



Ptolemeu (2,6,38-48) cita a cidade de Tuntobriga, situando-a entre Douro e Minho, integrada no território dos Callaeci Bracari. Em 1882, na borda de um poço da aldeia do Freixo, foi recolhido um bloco granítico paralelepipédico, onde se lê: [G]ENIO / [T]ONCOBR / [I]CENSIV[M] / [FL]AVIUS / V(otum). S(olvit).A(nimo).L(ibens).M(erito)
Das interpretações apontadas por diversos autores, optou-se pelo nome Tongobriga e identificamos esta cidade com o actual lugar de Freixo, onde as evidências arqueológicas confirmam a propriedade da inscrição encontrada em 1882.
Tongobriga começou a ser escavada, em Agosto de 1980, num sítio chamado "capela dos mouros“, designação dada pela população local à pequena parte então visível das ruínas romanas.
A estrutura castrejo-romana criada em Tongobriga, possivelmente pelo imperador Augusto, amadureceu política, administrativa e economicamente, resultando daí a instalação de uma cidade. A escavação permite dizer que no final do séc. I, início do séc. II, Tongobriga surge como civitas, com preponderância sobre a região envolvente.
A construção das termas no final do séc. I, do forum na 1ª metade do séc.II e demais edifícios públicos identificados, corresponde ao objectivo de dotar este centro urbano de equipamentos colectivos que, pela sua monumentalidade e riqueza arquitectónica, impusessem Tongobriga como centro de atracção e decisão. Junto ao forum estavam as termas públicas, construídas em Tongobriga no final do séc.I e posteriormente remodeladas.
O sítio arqueológico, hoje com uma área classificada de 50ha, é Monumento Nacional desde 1986.

2 comentários:

Eduardo Aleixo disse...

Mais um trabalho excelente, útil ( pedagógico ) e belo ( não faltam os pormenores poéticos ).
Não conhecia a existência da cidade antiga romana, com o nome de Tongobriga, já citada por Ptolomeu. Não admira. A investigação arqueológica neste país só arrancou após o 25 de Abril. Sabia-se o que estava " lá em baixo ". Hoje, as coisas já se vêem " cá em cima ".
Mas muito trabalho é ainda preciso para que se divulguem. E também para que, nas escolas, se desperte o interesse pela História.
Na minha terra, é o mesmo. Devido ao saber de Cláudio Torres, cada vez se vai vendo mais os vestígios romanos, visigóticos e outros. E muitos jovens aí encontram trabalho, sob a competente orientação.
Obrigado, Lucy.
Um abraço, Eduardo

Lucy disse...

Eu é que agradeço, Eduardo, a tua visita e explicações adicionais.

Muita 'História' ainda há-de vir ao de cima... muito 'segredo' ainda soterrado prestes a vir à luz do dia.

Um abraço,
Lucy