Fotografia do "Rio Cávado, no Gerês"

segunda-feira, 16 de março de 2009

TERRA DE SANTA MARIA... Mãe de Portugal

Em Guimarães o Berço da Pátria,
Em Terra de Santa Maria - a Mãe de Portugal!
Uma visita ao Castelo de Santa Maria da Feira relembrando a História...
· A "Terra de Santa Maria" foi uma região medieval organizada administrativa e militarmente, em meados do séc. IX, por Afonso III de Leão, aquando da reconquista cristã da Península.

A chefia desta região foi entregue ao Castelo de Santa Maria.

· Inicialmente, estendia-se entre os Rios Douro e Vouga, tendo a leste as serranias de Paiva, Arouca, Cambra e Sever do Vouga e a oeste, o Oceano Atlântico.

Nos princípios do séc. XII, á área da região foi reduzida do lado Sul por virtude de uma disputa entre os Bispos de Porto e de Coimbra. A parte destacada desintegrou-se ao ser absorvida pelos territórios anexos, ficando a pertencer à diocese de Coimbra.

A parte centro e norte, manteve-se como um núcleo central. E embora ficando a pertencer à diocese do Porto continuou, administrativamente, sujeita ao governo de Coimbra.

De então para cá, aquele núcleo central com aquele nome, manteve-se até meados do séc. XIX, ao contrário do que sucedeu com outras regiões medievais, entretanto desaparecidas.

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· E foi, exactamente, esta pujança económica, esta força militar organizada e esta "identidade cultural" de independência, que acabaram por desempenhar um papel decisivo na formação e consolidação da nacionalidade portuguesa com o levantamento colectivo que teve o seu epilogo na batalha de S. Mamede, em 1128.

Como refere o Prof. José Mattoso, (" O Castelo e a Feira", p. 160)

..." A Terra de Santa Maria pode ser considerada como um região, que, no caso de ter estabelecido uma ligação preferencial a Coimbra, deveria, teoricamente, ter inviabilizado a construção de um novo Reino. Em vez disso, associando-se a Portucale e garantindo o seu prolongamento em direcção à mesma cidade de Coimbra, acabou por constituir o elo de ligação com ela."

Por tudo isto, bem pode dizer-se que a Terra de Santa Maria é a

TERRA MÃE DE PORTUGAL
mais informações em:







Castelo de Santa Maria da Feira
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· Durante largos anos, a “Terra de Santa Maria” foi “terra de fronteira” com os árabes. Só depois da conquista de Coimbra (1067) este território deixou de ser “zona de guerra”. Mas não foi, também, “zona de paz” tal como sucedia com as povoações a norte do Douro. Depois daquela conquista de Coimbra, aquele território, funcionou como o grande “viveiro” de cavaleiros e de peões que alimentava a frente sul. Isto só foi possível, porém, pelo caracter permanente da organização militar instalada na “Terra de Santa Maria”.

· Após a morte do conde D. Henrique, senhor do Condado Portucalense, a viúva, D. Teresa, deixou-se envolver com um fidalgo galego, Fernão Peres de Trava, ao serviço do Arcebispo de Compostela D. Diogo Galmirez, que tinha a intenção de submeter ao controle da Galiza o Condado Portucalense. Como guarda avançada, tinham vindo para o Condado, especialmente para o Porto – onde Fernão de Trava governava já – grandes migrações galegas. Com o tempo, a pequena burguesia portucalense começou a ser substituída por gentes da Galiza. Mais tarde, o ataque económico e administrativo estendeu-se aos grandes senhores de terras e de poder, quer a norte, quer a sul do Douro. Assim sucedeu às famílias Moniz, de Riba Douro (Ermígio, Mendo e Egas), Sousas (da Maia), Nuno Soares (de Grijó) e à família de Pero Gonçalves (de Marnel). Estas famílias, que tinham vastas propriedades quer no Alto Minho, Lamego, quer na Terra de Santa Maria, foram sendo confrontadas com a ameaça de perderem tudo- cargos, prestígio, e bens – por intervenção de uma campanha orquestrada do exterior, primeiramente subtil e, depois frontal.

Dentro destas famílias notáveis, é justo destacar dois nomes: Ermígio Moniz e Pero Gonçalves do Marnel.
O primeiro, ao tempo de revolta dos barões portucalenses, era alcaide do Castelo de Neiva. Antes tinha sido afastado do governo da Terra de Santa Maria e da alcaidaria do Castelo. Figura muito próxima do Infante D. Afonso, era irmão do célebre Egas Moniz, que também tinha sido afastado da Terra de Lamego.
O segundo, Pero Gonçalves de Marnel, tinha sido substituído no governo de Coimbra pelo próprio Fernão Peres de Trava. Ao tempo da revolta (1127/1128) era governador da Terra de Santa Maria e alcaide do Castelo do mesmo nome.
O galego Fernão Peres de Trava ocupava assim o governo dos dois pólos fundamentais do Condado Portucalense – o de Portucale e de Coimbra.

Uma hora houve em que estas famílias resolveram juntar-se e revoltar-se. A este movimento de revolta esteve ligado o Infante D. Afonso que, também, não via com bons olhos a situação da mãe e que começava a temer pelo futuro que lhe estava a ser reservado. Ele, que, ao tomar a iniciativa de se armar cavaleiro, por si próprio, em Zamora, estava a usar de uma prerrogativa reservada somente aos filhos de reis...
Com o poderio da sua força militar organizada, com o apoio da pujança da sua vida económica e com o estímulo do sentimento de independência de que já desfrutavam, os homens de Santa Maria avançaram para Guimarães – então capital do poder político – e onde o Infante D. Afonso se encontrava já a mobilizar as gentes daqueles sítios.
Ermígio Moniz, a norte do Douro e a partir do Castelo de Neiva, para lá se dirigiu também com as suas forças. Para a mesma cidade de Guimarães convergira Fernão Peres de Trava com as tropas de Coimbra, apoiado com o reforço das forças galegas que a ele se juntaram no Castelo de Lanhoso.
Em 13 de Junho de 1128 as tropas galegas foram vencidas. Esta batalha - indiscutível marco da história pátria - não foi, pois, a causa da nossa independência, mas a consequência de um movimento independentista de caracter colectivo e abrangendo uma grande área do Condado quer a norte quer a sul do Douro. A tentativa, por parte da Galiza de extinguir rapidamente o movimento independentista latente acabou por precipitar a mesma independência.
Neste movimento militar intervieram, pois, com indiscutível influência dois personagens fortemente ligados à Terra e ao Castelo de Santa Maria: Pero Gonçalves de Marnel e Ermígio Moniz.

11 comentários:

Anónimo disse...

Uma terra a conhecer, Santa Maria.

Continua a ser uma honra poder vir e comentar neste blog, sem "guardas" à porta...Agradeço.
Há sempre um belo equilíbrio entre imagens, palavras que nos informam sempre sobre o que vemos e a música.
Um beijo desta Maria
Maria

Nela disse...

Lucy irmã,
Falando em mãe e "MÃE DE PORTUGAL", toda eu sou arrepios!!!

Um sonho acordada: era uma vez, uma juventude que levantava o dedo contra tudo que estava mal neste mundo. Então...unindo-se entre eles, formavam uma grande manifestação, ENORME era a fila! à frente ía uma jovem grávida, como que a representar o "mundo" que estava dentro dela, e que todos queriam que fosse melhor para os seus rebentos, ela era o símbolo! Não ía a pé (a caminhada era longa), carregava-a às cavalitas um jovem saudável e musculoso, que assim a exibia mais ostensivamente, a ela e ao mundo que ela representava.
As mães de tais jovens rezavam ao ver passar semelhante procissão, e, murmuravam chorando : "lá vão os nossos filhos para a guerra"!
Chorando e cantando, só se ouvia como prece: AVÉ MARIA!!!

Beijinhos da irmã Nela

Eduardo Aleixo disse...

Excelente post, como sempre. Obrigado pela lição de História. É uma História bonita, sim. Claro que, ao lê-la, o meu sangue árabe do sul, descendente de Ibne Amar ( poeta de Silves ) e de Ibne Caci ( chefe militar de Mértola, ex-Myrtilis, minha terra natal, capital portuguera da cultura luso-
árabe ) crispou-se, há coisas que ficam no inconsciente colectivo ( Jung ), lembranças amargas, quando no século XIII, vivíamos felizes, a sul do Terjo, junto do Gades, quando os cristãos chegaram e nos expulsaram, matreiros, violentos, com a escola das armas que aprenderam no Norte, agora vejo que em Sta Maria da Feira...Mas o que lá vai, lá vai...Dizia eu que contaste uma História bonita. E que eu agradeço. E contigo aprendo.
A minha sensibilidade poética foi sensível à beleza romântica do castelo, que me parece bem conservado, às lindas fotos com que nos mimoseias, mas principalmente o meu coração vibrou com os pombinhos nas ameias e em especial com uma pomba enquadrada nas pedras vetustas das muralhas, ou encostada a uma árvore como se fosse uma moira encantada, senm esquecer uma princezinha loira no meio das ervinhas...
Uma semana boa para ti.
Beijinho.
Eduardo

Lucy disse...

Olá Maria!

Novamente por cá, Maria, ainda bem!
Sim, a minha casa não tem guardas à porta, quem entra é só por bem.

Se vais conhecer Santa Maria, então, espera para veres mais umas fotos de outros lugares da terra.

Um beijo desta Lucy

Lucy disse...

Pois é, Nela, muito ainda se há-de falar destas terras lusas de Santa Maria"!!!

Beijo

Lucy disse...

Edurado, meu amigo,

Já viste como este povo era(é) cristão mas não deixa por mãos alheias uma boa guerrinha!?

Assim foi, assim há-de continuar a ser, tudo em nome da Fé ou em nome da Pátria!

E quanto às pombas, havias de ver como elas lá construiram o seu 'castelo', eram todas princesas fechadas em torres, só podem...!

A 'loirinha' é a princesa que vive enamorada do meu príncipe do meio. Tivemos as duas a sensação do 'dejá vu' neste castelo. Como nada é ao acaso, e sem termos planeado, passámos dois dias em Santa Maria da Feira, o que nos deu oportunidade de 'reconhecer' o local.

Mas são histórias nossas... mais nada.

Um beijo que estou apressada para o Famafest (viste direitinho no jornal, sim senhora)

maria de fátima disse...

Olá Lucy gosto sempre de vir aqui ao teu blogue e ver as lindas fotos que tu tiras dos belos lugares portugueses e ler também os textos que as acompanham.Parabéns pelo óptimo trabalho que aqui fazes.Beijinhos e tudo de bom para ti.

Lucy disse...

Obrigada, Fátima, pela visita e palavras encorajadoras.

Um beijo e tudo de bom para ti, também.

Eduardo Aleixo disse...

É só para dizer até amanhã. Beijos.
Eduardo

Lucília Ramos disse...

Nela,
Só hoje li com atenção o teu sonho. Dois anos depois faz todo o sentido.
Também eu tive um sonho, a dormir, algo 'revelador', passado nos corredores suterraneos de um castelo (seria este?) na época medieval. Eu seguia uma figura feminina e lembro ainda como ia vestida, toquei-lhe no ombro, ela olhou para mim eu vi-lhe o rosto. Sei quem era essa figura histórica mas não revelo. À frente ia um cavaleiro, no momento que iria saber quem era e o que faziam naqueles corredores secretos, acordei. Este sonho marcou-me bastante. Memórias de algum passado?

Os sonhos, por vezes, não são tão irreais assim!
Já me deram uma explicação para este sonho que relatei, mas sei lá se será mesmo assim!?

Bem, continuemos a sonhar!

Eduardo Aleixo disse...

Já comentei, mas não ficou.
Repito: vim e reli e voltei a sentir a beleza das terras que descreves e cuja história contas.
Relembrei o sonho que tiveste e não há maneira de desvendares como não há maneira de abrires as garrafinhas do berde encomendado e prometido.
Beijos meus de muito carinho.
Subscreve-se mais uma vez o descendente de Ibne Amar e de Ibne Caci desta terra, a mais luso árabe de Portuga, Mértola.